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O político espanhol, Iñigo Errejón

O dirigente e candidato do Podemos à autarquia de Madrid, Íñigo Errejón, defendeu a política levado a cabo por Nicolás Maduro na Venezuela, considerando que foram já feitos muitos avanços democráticos. “Já se come três vezes por dia”, exemplificou o político. 

“O processo político na Venezuela tem alcançado inúmeros avanços numa transformação de sentido socialista, inequivocamente democrática, onde os direitos e as liberdades da oposição são respeitados – que diz, quase todos os dias por quase todas as televisões viver numa ditadura”, disse Errejón em entrevista ao jornal chileno The Clinic nesta terça-feira.

Confrontado pelo jornalista sobre o facto de ter sido imposta uma Assembleia Constituinte sem a participação da oposição, dando-lhe conta do contraditório, o candidato do Podemos manteve a sua postura, considerando que “houve avanços muito importantes”.

“Eu só vejo retrocessos”, retorquiu o repórter. O político espanhol contrapõe a afirmação do jornalista: “Não, não, na Venezuela já se come três vezes ao dia”, disse.

Face às declarações de Errejón, o jornalista rebate: “Mas a população da Venezuela perdeu em média dez quilogramas nos últimos anos”. O político espanhol admite neste momento não ter este dados, ao que o jornalista se mostra disponível para os apresentar.

Uma vez mais, o político mantêm a sua postura, ignorando os dados apresentados pelo entrevistador: “Foram feitos muitos avanços, por exemplo, ao conseguir que as pessoas tenham acesso à saúde pública, à educação…”.

Sobre a área da educação, o jornalista nota que muitas pessoas emigram para países vizinhos, como a Colômbia, quando têm familiares doentes. Face a isto, o candidato do podemos diz conhecer “centros de saúde gratuitos onde se fazem radiografias gratuitas” a pessoas que não as podem pagar.

“Mas há falta de medicamentos“, contrapõe o jornalista. “Isso é outra coisa. E não é que não haja medicamentos, é que os medicamentos vendem-se mais caros na Colômbia”, nota Íñigo Errejón.

“Então porque é que as pessoas fogem [da Venezuela]?”, questionou o jornalista. “Acredito que há uma situação com a segurança que se torna muito incómoda para lá viver”, começou por dizer o político espanhol.

“Há uma tensão e polarização política no país muito dura e, acredito, a liderança política não tem sido capaz de garantir um bom combate contra a inflação e a escassez de alimentos e isso fez com que as pessoas procurassem uma vida melhor noutros países”, justificou por fim Íñigo Errejón.

A posição do político espanhol do Podemos faz parte de uma entrevista ao jornal chileno The Clinic

, estandos, estas declarações acima apresentadas, agrupadas num subtítulo intitulado de “A defesa de Maduro”.

Imprensa espanhola reage

As declarações de Errejón, um dos co-fundadores do partido, rapidamente se fizeram ecoar na vizinha Espanha, sendo consideradas pelos média espanhóis como um elogio a Nicolás Maduro e ao seu regime.

“Errejón defende o regime de Maduro na Venezuela”, escreveu o El Mundo em reação à entrevista agora divulgada. “A Venezuela e o regime de Nicolás Maduro sempre esperam pelo Podemos ao virar da esquina. De vez em quando, a formação roxa e os seus líderes tropeçam neste país”.

Por sua vez, escreve o El Economista, “Errejón celebra avanços da Venezuela de Maduro”. “Errejón, o defensor da ‘democracia’ de Maduro”, considera o Catalunya Press.

Também o El Pais noticia o caso, dando conta da indignação dos Venezuelanos que vivem na Espanha face a entrevista, notando ainda que esta vai ser uma “munição” para a oposição que frequentemente associa o partido de esquerda ao Governo da Venezuela.

3,7 milhões subalimentadas na Venezuela

Segundo dados divulgados esta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Venezuela é o país da América Latina com maior número de pessoas subalimentadas – 3,7 milhões de cidadãos.

“No caso da Venezuela, o aumento de pessoas subalimentadas foi de 600 mil, entre 2015 e 2017. Com este aumento, a prevalência da subalimentação atinge 11,7% [da população], 3,7 milhões de pessoas)”, explica o relatório.

Os dados foram apresentados durante uma conferência de imprensa no Chile, pelo representante regional da FAO, Júlio Berdegué, que explicou que a crise política, económica e social venezuelana travou os avanços no combate à subalimentação registados no país.

[sc name=”assina” by=”SA, ZAP” source=”Lusa” ]