Isabel Melo, diretora do Panteão Nacional, recusa demitir-se por causa da polémica depois do jantar de encerramento da Web Summit que se realizou naquele local. Os sociais-democratas consideram que Costa “só tem uma solução”: “demitir” quem autorizou.
A diretora do Panteão Nacional disse em entrevista ao Público que não se demite, depois do polémico jantar que decorreu na nave central do monumento na noite de sexta-feira no âmbito da Web Summit.
O Ministério da Cultura já anunciou a proibição de realização de eventos de natureza festiva no Corpo Central do Panteão Nacional. O primeiro-ministro, por seu lado, considerou a utilização daquele monumento para eventos festivos “absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”.
Isabel Melo esclareceu que, no local onde aconteceu o jantar, e no qual participaram presidentes-executivos, fundadores de empresas e ‘startups’, investidores de alto nível, entre outras personalidades, não existem corpos. “As salas tumulares estão todas fechadas”, garantiu.
A responsável disse ainda que o evento foi autorizado “por quem de direito”, ou seja, a Direção-Geral do património e que decorreu de acordo com o regulamento em vigor.
A organização da Web Summit já pediu desculpas “por qualquer ofensa causada” pela utilização do Panteão Nacional, garantindo que o evento, “conduzido com respeito”, respeitou as regras do local.
No sábado, o PSD afirmou que a justificação dada pelo Governo a propósito da utilização do Panteão Nacional para um evento festivo é um “equívoco”, desafiando o executivo socialista a assumir responsabilidades por ter autorizado tal facto.
“Julgo que estamos a arredondar num terrível equívoco em relação à justificação canhestra que este Governo, e que o primeiro-ministro em particular, apresenta sobre esta situação”, afirmou o vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Social-Democrata (PSD), Sérgio Azevedo, em declarações à agência Lusa.
“Não vale a pena tapar o sol com a peneira e dizer que isto é responsabilidade do Governo anterior. Não é verdade. É mentira. Responsabilidade do Governo anterior foi a regulamentação da utilização dos espaços culturais. Responsabilidade do senhor primeiro-ministro e do seu Governo foi a autorização concedida à organização do Web Summit para realizar um jantar no Panteão Nacional”, frisou o social-democrata.
“O despacho exarado pelo Governo anterior é um despacho que regulamenta a utilização dos espaços culturais ou do património cultural. Lendo os três primeiros artigos, e não é preciso ser jurista para interpretar esses artigos, diz que a utilização desses espaços carece de autorização da Direção-Geral do Património Cultural
e que essa utilização não pode ser contrária à dimensão histórica e cultural que o equipamento a ser utilizado possua. Portanto, há aqui um equívoco e uma enorme falta de assumir responsabilidades”, reforçou Sérgio Azevedo.Para Sérgio Azevedo, o primeiro-ministro “só tem uma solução”, desafiando António Costa a tomar as diligências necessárias. “Para não perder a sua autoridade, só tem uma solução, que é demitir ou fazer de tudo para que quem autorizou, quem compactuou, não represente o Estado nestas indignidades”, desafiou o social-democrata.
António Costa classificou como “absolutamente indigna” a iniciativa de realizar o jantar de encerramento da Web Summit no Panteão Nacional, mas quando o primeiro-ministro era presidente da Câmara de Lisboa, a Associação de Turismo a que também presidia organizou um evento naquele monumento.
A notícia foi avançada pela CMTV e entretanto confirmada pelo então director da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), Vítor Costa.
Esse jantar organizado pela ATL no Panteão Nacional ocorreu a 11 de Setembro de 2013, segundo avança o Correio da Manhã, frisando que o evento visou promover o fado, contando com convidados de várias nacionalidades.
Na altura, o actual primeiro-ministro era presidente da Câmara de Lisboa e também presidente da ATL, mas Vítor Costa assegura ao Observador que “António Costa não foi consultado nem teve conhecimento” do evento.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Oh Snrs. José Oliveira e Fernando Sousa, que é isso de estar a culpar o executivo e particularmente o nosso Primeiro-Ministro? Já viram que há imensos relatos de almoços e jantares naquele e noutros lugares de culto desde há muitos anos e passando por vários Governos? Ou não? Houve sempre ou quase sempre governos PSD e governos PS. Há regulamentação que se cumpre por parte da DGPC. Este evento da Web Sumit não foi mais do que uma repetição de 2013 (e quem era governo nessa altura?). Mas não é este ou aquele governo que se responsabilizam. São todos. Mas também e por outro lado, convenhamos que não é por aí que o mal vai ao Mundo. Este tipo de eventos a realizar num espaço perfeitamente distinto daquele onde repousam os restos mortais dos nossos maiores, não parece ser ofensivo. Julgo que estamos a ver isto como um ultraje. Eu não vejo assim. Alugar o espaço fica caro, claro. E para onde vai esse dinheiro? Para a sustentabilidade do monumento. E isso é mau? Tantos pruridos, para quê? Além do mais existe uma DGPC como entidade responsável pela aplicação dos regulamentos. Não é ao Governo que compete essa fiscalização. Se assim fosse, o governo de Coelho também sairia chamuscado. Ou não? Oportunista? Que desfaçatez dizer uma coisa destas a um governante que está a recuperar a economia e a devolver os direitos dos cidadãos...