Museu da Presidência da República / Facebook

Diogo Gaspar, diretor do Museu da Presidência

O diretor do Museu da Presidência é suspeito de seis crimes por, alegadamente, ter desviado móveis antigos e quadros da instituição, por ter beneficiado amigos e familiares e vendido a sua influência a terceiros.

Estes são os factos imputados a Diogo Gaspar, no âmbito da chamada “Operação Cavaleiro”, que está a ser levada a cabo pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, no âmbito da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária.

O diretor do Museu da Presidência está detido e vai ser ouvido, esta sexta-feira, por um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, onde deverá ser confrontado com o facto de vários móveis antigos, tapeçarias e quadros do espólio da instituição terem sido encontrados em residências suas, no âmbito das buscas efetuadas.

O Diário de Notícias reporta que foram encontradas, nomeadamente, várias peças de mobiliário dos séculos XVIII e XIX nas buscas realizadas a duas habitações, em Lisboa e em Portalegre, e a várias empresas que prestariam serviços ao Museu da Presidência.

Os investigadores do DIAP consideram que algumas destas empresas serão, de facto, de Diogo Gaspar, embora sem que ele tenha assento nos respetivos órgãos sociais, escreve o Público.

O historiador de 45 anos recorreria a “testas-de-ferro” nestas empresas, usando a sua posição de diretor do Museu da Presidência para contratar serviços às mesmas e por valores inflacionados.

Além disso, Diogo Gaspar receberia comissões “como contrapartida da promessa de exercício de influência junto de decisores públicos“, salienta a Procuradoria-Geral da República numa nota à imprensa.

“Investigam-se, igualmente, o uso de recursos do Estado para fins particulares, a apropriação de bens móveis públicos e a elaboração de documento, no contexto funcional, desconforme à realidade e que prejudicou os interesses patrimoniais públicos”, declara a PGR.

Estão em causa crimes de tráfico de influência, de falsificação de documentos, de peculato, de peculato de uso, de participação económica em negócio e de abuso de poder, numa investigação iniciada em abril de 2015 e que não se deveu a qualquer denúncia da Presidência da República, conforme apurou o Público.

Diogo Gaspar está à frente do Museu da Presidência há 12 anos, desde o início da instituição, e foi condecorado pelos Presidentes da República Jorge Sampaio e Cavaco Silva pelos serviços prestados.

ZAP