SXC

Uma inspeção da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), em março, descobriu que foram apagados emails que provavam a existência da lista VIP de contribuintes.

A notícia, publicada pelo Expresso esta quarta-feira, descreve que o diretor da Área de Segurança Informática (ASI) da AT, José Morujão Oliveira, apagou emails comprometedores enviados por si e que demonstram que a chamada lista VIP – o sistema de alerta acionado com casos de acesso aos dados fiscais de contribuintes como Passos Coelho e Cavaco Silva – estava a funcionar em novembro do ano passado.

De acordo com o relatório da inspeção realizada em março pela CNPD, os técnicos da comissão acabaram por encontrar o rasto dos emails apagados nos servidores da AT e aceder ao seu conteúdo através das caixas de correio dos destinatários.

O semanário descreve que a 3 de outubro de 2014 o diretor da ASI enviou a Graciosa Martins Delgado, sub-diretora-geral de Sistemas de Informação, a informação relativa ao “controlo do acesso aos dados – alarmística em caso de consulta/alteração de dados sensíveis”. Com este sistema, seriam “despoletados [alertas] em caso de verificação de consulta ou alteração de dados de determinados contribuintes que, na ausência de melhor conceito, denominamos de VIP”.

A ideia de contribuintes específicos – como Passos Coelho, Paulo Portas ou Cavaco Silva – terá partido do próprio responsável, que sugeriu que “numa primeira fase” fossem incluídos os números de identificação fiscal “dos principais titulares dos órgãos de soberania”.

A lista VIP terá entrado, então, em funcionamento a 15 de outubro, quando José Morujão Oliveira recebeu o despacho de aprovação, depois de a implementação do sistema ter recebido a autorização da sub-diretora-geral de Sistemas de Informação e de ter sido aprovado a 10 de outubro por José Maria Pires, que substituiu o diretor-geral de Justiça Tributária.

O primeiro alerta surgiu a 6 de novembro, quando um funcionário do Fisco consultou os dados de Passos Coelho, e a 28 de novembro disparou novo alarme com a consulta aos dados de Cavaco Silva.

Não existem provas, no entanto, que assegurem que a criação desta lista fosse do conhecimento de António Brigas Afonso, diretor-geral da Autoridade Tributária que se demitiu quando o escândalo estalou, ou do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio. José Maria Pires, sub-diretor-geral de Justiça Tributária, demitiu-se depois de esta lista ter vindo a público.

ZAP