Manuel de Almeida / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa
O debate sobre o Estado da Nação aconteceu, esta quarta-feira, no Parlamento, com a tragédia em Pedrógão Grande, o roubo de armamento nos Paióis Nacionais de Tancos e as demissões no Governo como pano de fundo.
O primeiro-ministro, António Costa, respondeu “cara a cara” ao pedido de demissão dos ministros da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, feito pela líder do CDS, Assunção Cristas.
“Obviamente que não demito nenhum ministro, obviamente que não demito a ministra da Administração Interna, obviamente que não demito o ministro da Defesa Nacional. Deixe-me dizer-lhe uma outra coisa ainda mais fácil: tudo aquilo que qualquer uma das minhas ministras ou dos meus ministros fizer, será sempre responsabilidade minha”, afirmou.
A presidente do CDS-PP acusou ainda o primeiro-ministro de liderar um Governo de “austeridade dissimulada” e pautado por uma “sucessão de casos” com ministros e secretários de Estado, numa referência ao caso GalpGate.
Sobre Tancos e as viagens ao Euro 2016, a presidente do CDS disse que o chefe do executivo faz “montagem de narrativas” e “vive convencido do seu poder para colocar pontos finais” mas prometeu, por cada “ponto final” trazido pelo PM, trazer “reticências e pontos de interrogação”, e “muita exclamação e muita indignação”.
Sobre a tragédia em Pedrogão Grande, Cristas apontou a “falha gravíssima do Estado na proteção dos cidadãos”, considerando que “a confiança quebrou-se e era necessário repará-la de imediato” mas, em vez disso, assistiu-se à “total descoordenação”.
“Caiu a máscara do fim da austeridade”
Pelo lado do PSD, Passos Coelho acusou o Governo de “calculismo e populismo latente” e o Estado de “falhar clamorosamente” nos recentes acontecimentos, defendendo que o país precisa de “muito mais”.
Na sua intervenção, que já está a dar que falar pela inspiração num post no Facebook de Poiares Maduro, Passos afirmou ainda que “caiu a máscara do fim da austeridade”, atribuindo os resultados económicos conseguidos a um ‘plano B’, que passou por cortes em várias áreas.
“A meio da legislatura o país descobriu que a economia pode até estar a andar melhor, mas que a responsabilidade política está a fracassar em grande estilo“, acusou.
“Mas agora que ficaram expostas as fragilidades, as contradições, as simulações, o calculismo e o populismo latente, agora começa a sentir-se que precisamos coletivamente de mais qualquer coisa. O país precisa, pelo menos, de liderança e de objetivos mobilizadores e efetivos”, afirmou. “Precisamos, enquanto país, de muito mais”, defendeu.
“Fiasco” das “premonições” e cartazes no ecoponto
Carlos César também falou, num discurso em que recuperou as posições assumidas há um ano no mesmo debate, quer por Passos Coelho, quer por Assunção Cristas.
No debate sobre o estado da Nação de 2016, segundo Carlos César, Passos deixou o seguinte diagnóstico sobre o país: “O investimento está a cair a pique, o emprego ou estagnava ou destrói-se, o crescimento tem menos vigor do que antes, há riscos orçamentais e o país está a andar para trás”.
“O balanço é, felizmente, o fiasco dessas premonições do deputado Passos Coelho. Ao invés, o investimento subiu, o emprego aumentou, o crescimento é uma constante na economia e o valor do défice é saudado por todas as instituições europeias”, contrapôs.
Já Assunção Cristas, de acordo com Carlos César, “a candidata a líder da oposição, trouxe o que chamou uns auxílios em forma de cartaz(es)”. O líder parlamentar socialista referiu que nesses cartazes a presidente do CDS “acenou com a diminuição do emprego”, uma “hecatombe do investimento”, o “colapso do investimento público”, “a escassez do investimento estrangeiro” e ainda cartazes sobre redução das exportações, queda de confiança dos consumidores e aumento de impostos”. “Um, dois, três, quarto, cinco, seis, sete cartazes – sete cartazes do CDS para o ecoponto
“.PCP pede coragem ao Governo, BE exige garantias
Jerónimo de Sousa defendeu que é preciso cumprir o que está nos orçamentos do Estado, aconselhou o Governo a “romper com as políticas” dos últimos anos e assumir “com coragem uma política alternativa“.
“O que está feito não é suficiente, e não é só uma questão de ritmo. É preciso ir mais longe e romper com a política que durante décadas vigorou no país e assumir, com coragem, uma política alternativa”, disse o líder do PCP.
Além de dizer que o último ano e meio “é a prova” de que havia alternativa às “políticas de direita” do Governo anterior, Jerónimo pediu a Costa que governe para resolver “os problemas do país” e não para “mostrar serviço” em Bruxelas.
Por sua vez, Catarina Martins exigiu ao primeiro-ministro que dê respostas ao “défice escondido do atraso estrutural do país”, apontando as reformas antecipadas, o aumento do salário mínimo e as leis laborais como prioridades.
Numa altura em que “o estado da Nação é ainda o estado de choque”, a bloquista defendeu que ao Governo cabe “responder pelos erros” e “reconstruir o que foi destruído” e ao Parlamento aprovar soluções “corajosas” para a reforma da floresta.
Catarina Martins questionou Costa sobre “o défice escondido, o atraso estrutural do país”, em que dois milhões e 600 mil pessoas estão abaixo do limiar da pobreza, há crianças sem acesso a creche e territórios abandonados. Para a deputada, o acordo assinado com o Governo há um ano “foi um passo positivo” para dar resposta “ao défice escondido”, mas o próximo ano “não será fácil”, advertiu.
A deputada do PEV, Heloísa Apolónia, considerou que o país está “definitivamente melhor” mas que não é ainda suficiente, sugerindo medidas medidas para o próximo Orçamento do Estado como um reescalonamento no IRS, mais investimento público e ainda o descongelamento das carreiras na administração pública.
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A coligação de interesses (exploradores/corruptos/parasitas), agarra-se a qualquer coisa que "flutue", não é esquisita.