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O hacker Rui Pinto, alegado autor do blogue Football Leaks e do roubo dos emails do Benfica

O director nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, realça a colaboração de Rui Pinto como tendo sido essencial para apurar a “verdade material” no caso de pirataria informática que o envolve e defende, por isso, que ele “tem que ter uma recompensa garantida” ao estilo da delação premiada.

As declarações deste responsável surgem numa entrevista ao Diário de Notícias (DN), onde Luís Neves relata que o hacker Rui Pinto já ajudou a PJ a desencriptar todos os discos rígidos que lhe foram apreendidos.

“O Rui Pinto foi acusado e pronunciado com parte substancial daquilo que a PJ conseguiu descodificar e abrir nos equipamentos que lhe apreendeu na Hungria e naquilo que já eram suspeitas anteriores”, começa por notar Luís Neves, frisando que a descodificação de alguns dos discos rígidos “poderia nunca ser possível”

sem a colaboração do hacker.

Luís Neves destaca a mudança de comportamento de Rui Pinto ao longo do processo, frisando que a sua decisão de colaborar com as autoridades permitiu à PJ e ao Ministério Público (MP) ter “acesso a determinado tipo de informação”.

Assim, Luís Neves apela a que se deixe o “cinismo” e a “hipocrisia” de lado e defende a aplicação, em Portugal, de um regime semelhante à delação premiada que existe no Brasil.

“A única pessoa que colaborou com a Justiça, na descoberta da verdade material, pode vir a ser a única que é condenada“, destaca Luís Neves referindo-se a Rui Pinto e concluindo que “isso é terrível”.

“Se essa pessoa se dispõe a colaborar, tem que ter uma recompensa garantida“, acrescenta, frisando que “não pode dar tudo, colocar-se até em risco de vida porque o crime organizado, no âmbito da corrupção, também mata, também pressiona, também coage, também se passam questões a nível familiar que, muitas vezes, as pessoas não sabem cá fora”, sem receber nada em troca.

Sobre Rui Pinto, o director nacional da PJ diz que é “um jovem culto, com preocupações de defesa do colectivo” e “preocupado com questões de igualdade, justiça social“.

“O que eu espero para o Rui Pinto, como qualquer arguido, e para todos aqueles que ao longo da minha vida profissional foram detidos por minha determinação, é que possa regressar a uma vida normal e não reincidir em práticas criminosas”, conclui Luís Neves.

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