Andre Kosters / Lusa
Manuel Dias Loureiro, ex-administrador do BPN
Manuel Dias Loureiro diz que continua “estarrecido” com o despacho de arquivamento do caso BPN, em que estava indiciado de burla, e conta como ficou desiludido e rompeu com Cavaco Silva. “Ele não se portou bem comigo”, lamenta o ex-ministro e ex-líder do PSD.
Em entrevista do Diário de Notícias (DN), Dias Loureiro admite recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, depois do despacho de arquivamento do processo relacionado com o BPN, em que estava indiciado por crimes de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada.
“Isto que está aqui é uma aberração absoluta. É uma contradição nos termos e é uma aberração”, lamenta Dias Loureiro em declarações ao DN.
O ex-dirigente do PSD reage assim, ao facto de o Ministério Público ter anunciado o arquivamento do inquérito com o sublinhado de que não foi possível reunir provas que confirmem a prática dos crimes, mas que “subsistem as suspeitas à luz das regras da experiência comum”.
“Não se pode ter uma pessoa oito anos com suspeita em cima e depois diz-se: Investiguei-te, de facto não posso acusar-te por este crime, nem por aquele, nem por aquele, mas suspeito que existe”, desabafa Dias Loureiro na entrevista.
O ex-ministro dos Ministro dos Assuntos Parlamentares e da Administração Interna nos governos de Cavaco Silva também revela ao jornal que rompeu a amizade com o ex-Presidente da República.
“Eu dei ao professor Cavaco Silva tudo o que tinha de melhor, acho que ele não se portou bem comigo e portanto acabou”, salienta Dias Loureiro.
“Neste processo todo, perdi um amigo. Tenho pena de o ter perdido. E fui eu que rompi. Disse: ‘não quero assim'”, acrescenta o ex-líder social-democrata, frisando que Cavaco Silva não teve consigo “uma conduta adequada àquilo que devia ter”.
“Não lhe falei durante todo o segundo mandato presidencial e quando terminou as funções procurei-o para lhe dizer porque me afastei dele. Disse-lhe que fui sempre leal à amizade que lhe dediquei. Disse-lhe que ele não o foi em relação à amizade que eu esperava dele. Disse-lhe que tenho a consciência tranquila“, revela ainda Dias Loureiro.
Na entrevista ao DN, o ex-ministro também critica a justiça portuguesa, considerando que “os cidadãos têm uma desprotecção total”. E aproveita a ideia para lançar mais uma farpa a Cavaco Silva, realçando que a questão da “protecção dos direitos fundamentais” passou ao lado “a todos os Presidentes da República até agora”.
“Temos um Presidente que tem opinião sobre tudo menos sobre a questão dos direitos fundamentais do cidadão, o homem é que é o fim da política, isto passa-lhe também ao lado”, conclui Dias Loureiro, deixando uma crítica a Marcelo Rebelo de Sousa.
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Quando as "comadres" se zangam...descobrem-se as verdades.É só dar tempo ao tempo,e muito vamos ficar a saber o que MP nunca soube...ou não quis saber!