O cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, afirmou que em Portugal “o diabo não veio pela porta, mas entrou pela janela” em áreas como a saúde e a segurança de pessoas e bens.

“Eles dizem-nos todos que o diabo não veio. É verdade que ele não veio pela porta, mas entrou na janela do Serviço Nacional de Saúde e entrou na janela da segurança de pessoas e bens”, acusou Rangel, no jantar do primeiro dia das jornadas parlamentares do PSD, que decorrem no Porto.

Para o eurodeputado social-democrata, o diabo – que o anterior líder do PSD Passos Coelho tinha antecipado que chegaria durante o Governo socialista – “está em quem tem de ir aos hospitais, está nos incêndios de Pedrógão, de outubro, de Monchique”. “Se isso não é o diabo, não sei o que é”, criticou.

Na sua intervenção, Rangel centrou as críticas no seu adversário do PS Pedro Marques, desafiando o antigo ministro das Infraestruturas a aceitar um debate consigo.

“A SIC convidou-nos para um debate a 5 de março e Pedro Marques recusou o debate porque tem medo de ser confrontado com a verdade e quer editar no Twitter as fake news que bem lhe aprouver”, acusou.

Designando Pedro Marques como “o ministro-candidato e candidato-comissário” – numa alusão à possibilidade de vir a ser apontado pelo Governo português como comissário europeu – , Paulo Rangel dedicou-lhe mesmo uma música de António Variações, “Estou Além”: “Só estou bem onde não estou”.

A Pedro Marques, Rangel apontou ainda responsabilidades nos atrasos nas verbas para a recuperação dos incêndios e no “desvio” de verbas do Fundo da Solidariedade para a administração central.

“Quem era o ministro responsável pela reconstrução e pela reabilitação de quem se esperava que fosse um novo Marquês de Pombal? Era o ministro Pedro Marques”, acusou.

Para Rangel, o candidato socialista “tem um problema de fundo com os fundos” ao dizer que Portugal está em primeiro lugar na execução dos fundos europeus, posição que diz não ocupar desde 2015, com o anterior Governo.

“Nós não vamos tolerar uma relação difícil com a verdade, já tolerámos entre 2005 e 2011, não vamos repetir em 2019”, avisou.

Rangel acusa Governo de “diplomacia de pantufas”

O cabeça-de-lista do PSD às europeias desafiou o Governo a esclarecer se há portugueses entre os “3,5 milhões de refugiados” que deixaram a Venezuela, acusando o executivo de usar uma “diplomacia de pantufas” nesta matéria.

“Eu ouvi o Presidente da República quando recebeu o Presidente do Peru dizer que havia portugueses entre os refugiados no Peru. O Governo português nunca nos falou nisso, será que eles existem, estão identificados, está a ser canalizada ajuda?”, questionou.

Paulo Rangel – que esteve recentemente na fronteira da Colômbia com a Venezuela – pediu ao Governo que, se estes refugiados existirem, “os vá buscar ao Peru, ao Brasil e à Colômbia e lhes dê condições de dignidade em Portugal”.

“A forma como este Governo tratou a questão da Venezuela é o que chamo de diplomacia de pantufas ou uma política de veludo”, acusou, atribuindo esta atitude a anteriores “cumplicidades e intimidades” com este país.

“Não há milagres, as pessoas que integram este Governo, os seus principais ministros, alguns secretários de Estado promovidos, eram as pessoas que andavam a atravessar o Atlântico com os computadores Magalhães no tempo de Hugo Chávez”, criticou.

Ainda em matéria internacional, Rangel acusou o Governo de falhar “completamente a visão geoestratégica” sobre o Brexit. “Não há um único estudo público do Governo português sério, detalhado, devidamente fundamentado, sobre o impacto em cidadãos em empresas e na economia do impacto do Brexit”, criticou, dizendo que o único que existe é de uma confederação empresarial.

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