Miguel A. Lopes / Lusa

A líder do CDS-PP e o primeiro-ministro envolveram-se esta quinta-feira numa dura troca de acusações sobre as irregularidades detetadas na Caixa Geral de Depósitos e os atos de violência da última semana em Lisboa e Setúbal.

No debate quinzenal, no parlamento, Assunção Cristas insistiu com António Costa para saber se condenava ou não “os atos de vandalismo” que aconteceram nos distritos de Lisboa e de Setúbal durante a semana e se “defende a autoridade da polícia”.

O chefe do Governo, que confessou que “a paciência tem limites” por causa das perguntas de Cristas sobre a Caixa Geral de Depósitos, deu a resposta numa frase.

“Está a olhar para mim… Deve ser pela cor da minha pele que me pergunta se condeno ou não condeno”, disse António Costa, o que deu origem a uma “pateada” na bancada do CDS e do PSD e aplausos na do PS.

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, fez então uma advertência aos deputados, mas também ao primeiro-ministro António Costa. “Temos todos que ter calma e moderação, deputados e o senhor primeiro-ministro. Peço que este tipo de conclusões não sejam usadas neste debate”, afirmou.

Quando voltou a tomar a palavra, Assunção Cristas respondeu apenas: “Não respondo ao seu comentário. Fiquei com vergonha alheia”.

Jerónimo recusou generalizações

Também no debate quinzenal, o secretário-geral do PCP rejeitou quaisquer generalizações sobre vandalismo ou más práticas policiais, referindo-se à violência e confrontos com origem no bairro da Jamaicae consequentes manifestações populares.

“Aquilo que temos de fazer é intensificar as medidas de combate à pobreza, à exclusão social e reforçar a coesão social. É absolutamente essencial mantermos todos serenidade, cabeça fria e elevada responsabilidade. Uma andorinha não faz a primavera e não é um comportamento de incivilidade que permite classificar toda uma comunidade. Não é a violência de um agente policial que permite afetar o prestigio, honra, admiração, respeito e confiança que temos de ter nas forças de segurança, PSP e GNR”, disse Costa.

O primeiro-ministro prometeu “continuar a fazer” o que está a ser levado a cabo: realojamento de famílias naquele e noutros bairros, reforço de homens, meios, equipamentos e instalações das forças de segurança, assim como o combate ao racismo e à xenofobia.

“O PCP não alimentará correntes de generalização que aproveitam ações e comportamentos individuais para promover sentimentos racistas e xenófobos contra comunidades de cidadãos cujos direitos devem ser respeitados, sem discriminações. Recusamos igualmente alimentar outras correntes de generalização que aproveitam situações de uso da força por parte das forças de segurança para lançar sobre todos os profissionais rótulos injustos que não merecem”, afirmara o líder comunista.

Para Jerónimo de Sousa, “a denúncia da violência policial deve ser cabalmente investigada. Situações de violência arbitrária ou injustificada, outras práticas inaceitáveis, devem ser prevenidas, combatidas e eliminadas, mas não devem ser instrumentalizadas”.

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