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Sede do Deutsche Bank em Frankfurt, na Alemanha

A União Europeia deve preparar um plano de resgate e injectar 150 mil milhões de euros na banca europeia para evitar um “acidente”, alerta o economista chefe do Deutsche Bank, banco com problemas graves que faz soar os alertas de que pode vir aí nova crise financeira.

As palavras de David Folkerts-Landau, o economista chefe do Deutsche Bank, estão a ter repercussões por toda a Europa, sendo lidas como um claro sinal de preocupação, adivinhando-se que pode estar iminente mais uma crise financeira semelhante à de 2008, que envolveu o banco norte-americano Lehman Brothers.

“A Europa está bastante doente e precisa de começar a fazer frente aos problemas rapidamente ou vai haver um acidente“, avisa David Folkerts-Landau em declarações ao jornal alemão Die Welt citadas pelo espanhol El Confidencial.

O economista apela às autoridades europeias para que preparem um plano de resgate e a recapitalização do sistema bancário do Velho Continente com valores que podem chegar aos 150 mil milhões de euros.

“Não sou o profeta do fim do mundo, sou realista”, diz ainda Folkerts-Landau quando soam os alertas vermelhos também na banca italiana, onde já há uma operação de recapitalização pública em curso.

O próprio Deutsche Bank não está de boa saúde e, depois de ter chumbado nos testes de stress da Reserva Federal norte-americana, surge no topo da lista do FMI com os bancos que oferecem mais riscos sistémicos

à estabilidade do sistema financeiro.

Tudo isto faz temer que venha aí uma segunda crise financeira semelhante à de 2008, após a falência do Lehman Brothers, cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir por todo o mundo. Isto embora Folkerts-Landau diga no Die Welt que não espera que isso aconteça porque “os bancos estão muito mais estáveis hoje em dia e têm mais capital”.

Na semana passada, o FMI colocou o Deutsche Bank “entre os bancos globais de importância sistémica” (G-SIB), como aquele que “aparenta ser o maior contribuinte líquido para riscos sistémicos, logo seguido do HSBC e do Credit Suisse”, recomendando a sua “monitorização apertada”.

O semanário Sol relata que o FMI alerta a Alemanha de que precisa de reestruturar o seu sistema bancário, colocando a nação de Angela Merkel, a par de França, Reino Unido e EUA, como os países com “o maior risco de contágio dada a percentagem de perdas de capital que podem infligir em outros sistemas bancários”.

No ano passado, o Deutsche Bank teve o pior resultado da sua história com prejuízos de 6.700 milhões de euros e para este ano, não se prevêem lucros, conforme já alertou o presidente do banco.

ZAP