University of Warwick/ Mark Garlick

Astrónomos da Universidade de Warwick descobriram um exoplaneta com o mais pequeno período orbital de qualquer exoplaneta conhecido. Chamado de NGTS-10b, o recordista completa uma translação em torno da sua estrela em apenas 18 horas.

O NGTS-10b está localizado num sistema estelar a cerca de 100 anos-luz da Terra. O planeta é cerca de 20% maior do que Júpiter e tem mais do dobro da sua massa. A estrela tem um raio de 70% do nosso Sol e é cerca de 1.000°C mais frio.

No entanto, o planeta está a orbitar tão perto da estrela que provavelmente, um dia, será destruído por ela. A descoberta, publicada este mês na revista científica Royal Astronomical Society, foi possível graças ao Next-Generation Transit Survey (NGTS).

“Estamos entusiasmados em anunciar a descoberta do NGTS-10b, um planeta do tamanho de Júpiter com um período extremamente curto, orbitando uma estrela não muito diferente do nosso Sol. Também estamos satisfeitos que o NGTS continue a ultrapassar as fronteiras da ciência de exoplanetas em trânsito terrestre através da descoberta de classes raras de exoplanetas”, afirmou o principal autor do estudo, James McCormac, em comunicado.

“Embora, em teoria, os Júpiteres quentes com períodos orbitais curtos (menos de 24 horas) sejam os mais fáceis de detetar devido ao seu grande tamanho e trânsito frequente, provaram ser extremamente raros. Das centenas de Júpiteres quentes atualmente conhecidos, apenas sete têm um período orbital inferior a um dia”.

O planeta está próximo da distância em que a estrela o destruiria, tornando-o um objeto único para estudar. Gigantes gasosos como estes não se formam perto da sua estrela, mudam-se para lá no início do processo de formação

do sistema devido a interações com o disco ou são empurrados devido a interações com outros planetas. Observações futuras poderão revelar qual é o caso do NGTS-10.

“Tudo o que sabemos sobre a formação de planetas diz-nos que planetas e estrelas se formam ao mesmo tempo. O melhor modelo que temos sugere que a estrela tem cerca de 10 mil milhões de anos e assumiríamos que o planeta também é. Ou estamos a vê-lo nos últimos estágios da sua vida ou, de alguma forma, consegue viver aqu mais tempo do que deveria”, explicou o co-autor Daniel Bayliss.

A equipe planeia observar este mundo distante com instrumentos de alta precisão para rastrear até pequenas mudanças na sua órbita.

“Nos próximos dez anos, pode ser possível ver este planeta a entrar em espiral. Poderemos usar o NGTS para monitorizá-lo ao longo de uma década. Se pudéssemos ver o período orbital começar a diminuir e o planeta começar a entrar em espiral, isso diria muito sobre a estrutura do planeta que ainda não conhecemos”, concluiu Bayliss.

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