(dr) Universal Pictures
“Oblivion” (Joseph Kosinski, 2013)
A Lua exerce uma enorme influência sobre vários processos no nosso planeta, e desde sempre que a pergunta “o que aconteceria se ela desaparecesse?” captou a atenção de cientistas, astrónomos e simples amadores. O astrofísico Ethan Siegel deu agora a resposta.
A Lua é um dos maiores satélites naturais conhecidos em relação ao seu planeta, e desde o início dos tempos que a sua mera presença nos céus tem sido ligada a todo o tipo de fenómenos na Terra – de carácter geofísico, astronómico, biológico ou psicológico, com maior ou menor fundamento científico.
Desde a insanidade – ou à sua versão mais simpática, muito apropriadamente chamada de lunatismo, passando pelo comportamento de alguns animais (que têm o hábito peculiar de uivar para a Lua), até aos ciclos das colheitas e mesmo o ciclo menstrual da mulher, a Lua tem sido apontada como responsável pelos mais variados efeitos.
A sua destruição iria causar inevitavelmente um cataclismo global, e mudar o nosso mundo de uma forma radical, diz o astrofísico norte-americano Ethan Siegel no seu blog Stars with a Bang na revista Forbes.
Mas segundo explica o astrofísico, a vida na Terra seria dramaticamente alterada por pelo menos sete razões completamente diferentes.
Destroços da Lua cairiam na Terra
De acordo com Siegel, caso uma explosão apocalíptica destruísse a Lua, várias pequenas “luas” formar-se-iam em volta da Terra. Passado algum tempo, alguns desses restos da Lua colidiriam com o nosso planeta.
Mas o poder do impacto destas mini-luas seria muito menor do que o dos asteróides ou cometas, destaca o astrofísico. “Sim, teriam um grande potencial destrutivo, mas teriam apenas 1% da potência de um asteróide desse tamanho…”
“A humanidade poderia sobreviver a isso”, diz Siegel.
O céu nocturno seria muito mais brilhante
O brilho da Lua é o segundo mais forte para quem está na Terra, superado apenas pelo próprio Sol. Enquanto o Sol é 400.000 vezes mais brilhante do que a Lua cheia, esta é por sua vez 14.000 vezes mais brilhante que o próximo objecto mais brilhante no céu: Vénus.
Assim, sem a Lua, mesmo as estrelas distantes seriam muito mais visíveis de noite.
Não haveria eclipses
Qualquer eclipse requer um sistema de três elementos: uma estrela e dois corpos celestes. Sem a Lua, o terceiro componente não existiria.
Há dois tipos de eclipses. No eclipse lunar, a Terra fica entre o Sol e a Lua, e projecta sombra sobre o satélite, fazendo-o desaparecer – total ou parcialmente. No eclipse solar, a Lua fica entre a Terra e o Sol, criando sombra sobre o planeta e fazendo desaparecer a estrela – total ou parcialmente, também.
Bem, naturalmente, sem a Lua, adeus eclipses.
Duração do dia seria constante
A gravidade da Lua exerce uma fraca influência na dinâmica da Terra, diminuindo a sua rotação. Todos os anos a Lua desacelera a rotação da Terra, recebendo um pouco mais de energia do nosso planeta e afastando-se gradualmente dele.
Por esse motivo, o dia “perde” cerca de 1.8 milésimos de segundo por século, mas este efeito acumula-se ao longo de milhões de anos.
O nosso dia de 24 horas era apenas de 22 horas durante a época dos dinossauros, e era menos de 10 horas há alguns milhares de milhões de anos atrás, diz Siegel. Recentemente, um cientista calculou mesmo quando é que os dias na Terra vão ter 25 horas
.Mas sem a desaceleração causada pela Lua, este fenómeno deixaria de acontecer.
As marés seriam insignificantes
Um dos mais visíveis efeitos da presença da Lua é a grande influência que a sua atracção gravitacional tem nas marés – muito maior do que a da gravidade do Sol. Com o desaparecimento da Lua, as marés seriam sempre de mesmo tamanho, e não haveria ondas de tamanho decente.
A diminuição das marés seria o fim de pelo menos um desporto muito popular – o surf – e acabaria precocemente com o fenómeno turístico em que a Nazaré se transformou desde que em 2011 o australiano Garrett McNamara ali surfou a “maior onda do Mundo“.
Além disso, tornaria provavelmente obsoleto o ditado português que garante que há mais marés que marinheiros.
Inclinação axial seria instável
A obliquidade é o ângulo de inclinação da Terra em relação à eclíptica – a linha curva onde o Sol “passa” à volta da Terra no seu “movimento aparente” visto da Terra.
Embora este parâmetro tenha mais a ver com o Sol do que com a Lua, o satélite da Terra estabiliza o eixo da rotação terrestre e dá-nos as estações do ano a que estamos habituados.
Estima-se que, sem a Lua, a obliquidade poderia atingir o dobro do nível atual, 45 graus, contra os actuais 23 graus.
Se tal acontecesse, os pólos não seriam sempre frios e a área do Equador nem sempre seria quente. Além disso, de acordo com o astrofísico, os períodos glaciais repetir-se-iam de alguns milénios em alguns (poucos) milénios.
A exploração espacial da humanidade pararia
O desaparecimento da Lua resultaria na perda de uma plataforma ideal para o homem se expandir para o espaço. Qualquer outro destino “próximo”, como Marte ou Vénus, seria muito mais difícil de alcançar, sem a “ajudinha” de um impulso da gravidade lunar.
Além disso, as viagens à Lua são a melhor maneira de a humanidade “treinar” antes de colonizar o espaço, diz Siegel, que acrescenta que provavelmente a humanidade irá mesmo usá-la no futuro próximo para esse fim.
Excepto, claro, se desaparecer entretanto.
[sc name=”assina” by=”” url=”https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/201703057821413-terra-mudaria-se-lua-fosse-destruida/” source=”Sputnik News”]
Muito bonito. Ele há cada um....mas afinal, a que propósito vem isto? Alguém adiantou a possibilidade de destruição da Lua? Seria lógico que o artigo começasse por aí, mas depois de o ler atentamente, nada se conclui. Realmente, cientistas e jornalistas "lunáticos" é o que mais há.