Sarah Silbiger / Pool

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não promete uma transição pacífica na Casa Branco caso perca as eleições, agendadas para 3 de novembro.

“Teremos de ver o que acontece. Sabem que me tenho queixado veementemente dos boletins de voto. E os boletins de voto são um desastre”, disse esta terça-feira o Presidente norte-americano, citado pelo Expresso, referindo-se aos votos por correspondência.

“Livrem-se dos boletins e terão [uma transição] muito pacífica… francamente, não haverá uma transição. Haverá uma continuação. Os boletins estão fora de controlo”, continuou.

Os boletins de voto por correspondência, que o Presidente tem colocado em causa, serão utilizados nas presidenciais norte-americanas deste ano devido à pandemia de covid-19.

O FBI rejeita as acusações de Trump sobre eventuais fraudes com os boletins de voto.

 

Estas declarações preocupam republicanos e democratas, escreve o Diário de Notícias.

O Presidente do Senado norte-americano, o republicano Mitch McConnell, recorreu ao Twitter para garantir aos eleitores que o vencedor das eleições de novembro tomará posse tal como o calendário prevê, no início da janeiro.

“O vencedor da eleição de 3 de novembro tomará posse em 20 de janeiro. Haverá uma transição ordenada, assim como tem acontecido a cada quatro anos desde 1792”.

Já o presidente do Comité Judiciário do Senado, Lindsey Graham, um aliado próximo de Donald Trump afirmou, em declarações à emissora norte-americana Fox News: “Posso garantir que será pacífica [a transição]. Agora, podemos ter litígios sobre quem ganhou a eleição, mas o tribunal [supremo] decidirá e se os republicanos perderem, aceitaremos o resultado. Mas precisamos de um tribunal” .

Trump “não está na Coreia do Norte”

Foram várias as figuras que reagiram esta semana às declarações de Trump.

A democrata Hillary Clinton, derrotada por Trump na última eleição presidencial, escreveu no Twitter: “A recusa de Trump em comprometer-se com a transferência pacífica do poder é o comportamento de um suposto ditador desesperado

que se agarraria ao cargo mesmo que significasse destruir nossa democracia. É patético. Mas porque ele é o Presidente, devemos levar a sério a ameaça”, escreveu, citada pelo jornal The Guardian.

Recorrendo à mesma rede social, o senador republicano Mitt Romney escreveu: “O fundamental para a democracia é a transição pacífica de poder; sem isso, há a Bielorrússia”. Por sua vez, Nancy Pelosi, a presidente democrata da Câmara dos Estados Unidos, disse que era necessário lembrar o Presidente norte-americano que “não está na Coreia do Norte, não está na Turquia, não está na Rússia”.

Ouvido pelo semanáro Expresso, o sociólogo DaShanne Stokes, considerou esta é a “mais recente demonstração do desespero e da tirania mesquinha que têm caracterizado a presidência ilegítima de Trump desde o início”.

“Não é uma surpresa que um Presidente criminoso, que regularmente abusa do poder e viola leis americanas, tente, uma vez mais, manter-se no poder através de meios imorais, antiéticos, ilegais e antiamericanos (…) Afinal, este é um homem que ajudou os nossos inimigos e solicitou atos de guerra contra a América em benefício próprio e para enriquecer. Essa é a definição exata de traição”.

[sc name=”assina” by=”ZAP” ]