O nosso cérebro é treinado para ver padrões e explicar o mundo à nossa volta. Como um órgão preditivo, o cérebro está sempre ocupado com essa busca constante, tanto para explicar as coisas como para ter sucesso na sociedade.

Esta capacidade do cérebro ajuda os seres humanos a ver sentido no mundo. Por exemplo, todos nós sabemos que se virmos alguma coisa a vermelho, isso significa que devemos estar atentos ao perigo.

Mas segundo um novo estudo, publicado em agosto no European Journal of Social Psychology, por vezes as pessoas sentem o perigo mesmo quando não há padrões que nos permitam reconhecê-lo – e assim os nossos cérebros criam os seus próprios padrões.

Este fenómeno, chamado percepção de padrões ilusórios, é o que alimenta as pessoas que acreditam em teorias da conspiração. A percepção do padrão ilusório – o acto de procurar padrões que não existem – já foi anteriormente associada à crença em teorias da conspiração, mas essa suposição não tinha sido até agora apoiada em provas empíricas.

Os cientistas britânicos e holandeses responsáveis pelo estudo agora publicado são os primeiros a mostrar que esta explicação está, de fato, correcta, tendo chegado a esta conclusão depois de realizar cinco estudos, com 264 americanos, que se concentraram na relação entre crenças irracionais e percepção de padrões ilusórios.

Estudos iniciais revelaram que a compulsão de encontrar padrões numa situação observável estava, de fato, correlacionada com crenças irracionais. As pessoas que viram padrões em lançamentos de moedas aleatórias e pinturas caóticas e abstractas eram mais propensas a acreditar em teorias conspiratórias e sobrenaturais.

O estudo mostrou como as pessoas podem ser também susceptíveis a influências externas. Ler sobre crenças paranormais ou conspirações causou um “ligeiro aumento na percepção de padrões em lançamentos de moedas, pinturas e vida”, e ler sobre uma teoria da conspiração tornou as pessoas mais propensas a acreditar em outra teoria

.

Após uma manipulação da crença numa teoria da conspiração, as pessoas viram eventos no mundo como mais fortemente interligados, o que, por sua vez, desencadeou crenças irracionais não relacionadas”, escrevem os autores.

Os investigadores sugerem que as crenças irracionais nascem da percepção do padrão devido à “tendência automática de dar sentido ao mundo, identificando relações significativas entre estímulos”. Mas as distorções podem acontecer, e o cérebro pode ligar pontos que são inexistentes.

As pessoas são más a avaliar o que é aleatório, e muitas vezes não acreditam que os padrões são coincidências, o que leva a ligações irracionais entre estímulos não relacionados. Por exemplo, só porque o poder social é dominado pelos ricos não significa que as pessoas ricas são satanistas Illuminati – algo em que muitacreditam.

Felizmente, outros cientistas encontraram uma forma de bloquear a omnipresença da percepção de padrões ilusórios: o pensamento crítico.

Anne McLaughlin, professora de psicologia da Universidade Estadual da Carolina do Norte, diz que o pensamento crítico é algo que pode ser ensinado, e que, se as pessoas forem treinadas a seguir o caminho certo, a pseudociência e falsas conspirações podem ser combatidas com a lógica e raciocínio.

Concluindo… o nosso cérebro pode tentar fazer ligações falsas, mas isso não significa que tenhamos mesmo que acreditar nelas.

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