A divulgação de um vídeo de uma praxe organizada por elementos da Licenciatura de Biologia e Geologia da Universidade do Minho (UM) originou denúncias de racismo e leva o Bloco de Esquerda a pedir a audição urgente do reitor da instituição no Parlamento.
Em causa está o facto de os caloiros que aparecem no vídeo surgirem com as caras pintas de preto, com saias improvisadas feitas de palha, e a cantarem “somos conhecidos por canibais”.
Pintar a cara de preto ou o chamado “blackface” é um comportamento encarado como racista porque, outrora, era usado no teatro para caricaturar personagens de origem africana, ajudando a alimentar estereótipos racistas.
A situação protagonizada pelos alunos da Licenciatura de Biologia e Geologia da UM leva, assim, o movimento Quarentena Académica a denunciar o vídeo pelo seu “teor extremamente racista“, como vinca Miguel Martins, um dos elementos que integra a plataforma que é composta por estudantes de todo o país, em declarações ao jornal académico ComUM.
“O Ensino Superior deve ser um espaço inclusivo e democrático, quer seja na UM ou noutra qualquer instituição do ensino superior”, salienta ainda Miguel Martins, definindo o vídeo como “surreal, terrível e grave”.
A Quarentena Académica repudia “severamente todas as atitudes vinculadas no vídeo”, salientando que “qualquer prática e comportamento racista não pode ter lugar no Ensino Superior”.
“Apelamos a que a Universidade do Minho se pronuncie acerca desta situação, tomando as medidas necessárias”, salienta ainda o movimento numa nota divulgada no Instagram.
A UM já se pronunciou sobre o episódio, apontando estar “surpreendida” com o mesmo e manifestando “profundo desagrado e veemente condenação face a este tipo de iniciativas, ofensivas da dignidade humana”, conforme um comunicado.
A instituição promete também averiguar o sucedido e realça que “os tempos de distanciamento físico não podem significar que os estudantes se distanciem dos valores, princípios e missão da UM”.
Entretanto, o Bloco de Esquerda (BE) já pediu a audição urgente do reitor da UM no Parlamento, nomeadamente para “apurar os mecanismos já postos em causa para investigar o caso”.
“Este tipo de práticas não podem ser aceites no Ensino Superior Público nem numa sociedade democrática e tolerante”, sublinha o BE no pedido de audiência parlamentar que foi consultado pelo ComUM.
O partido de Catarina Martins nota também que o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior da legislatura 2005-2009 “enviou às instituições de Ensino Superior um memorando”, onde responsabilizava as escolas por problemas relacionados com as praxes.
Na sequência disso, “muitos Conselhos Directivos decidiram proibir as praxes académicas no interior das universidades e politécnicos”, lembra ainda o Bloco.
As imagens do vídeo parecem indicar que a praxe terá sido realizada num ambiente externo à UM.
A praxe dos alunos de Biologia e Geologia terá ocorrido no âmbito da tradicional “latada” que, neste ano, devido à pandemia de covid-19, se realizou online, com os diversos cursos a divulgarem os vídeos das actividades realizadas na Internet.
[sc name=”assina” by=”ZAP”]
A minha Opinião não muda, e sempre foi a mesma. As "supostas" Inteligências futuras formadas nas nossas Universidades, quando nem respeito por si mesmo tem, que atitudes se podem esperar em relação ao resto da Sociedade ????.......... Cambada de Idiotas manipulados por outros tantos Idiotas !... Não respeitam ...portanto não merecem respeito !