Nathalie Sayago / EPA
Uma delegação do Parlamento Europeu, que tinha sido convidada pela Assembleia Nacional venezuelana a visitar a Venezuela, foi no domingo impedida de entrar no país e obrigada a apanhar um voo de regresso a Madrid.
A expulsão dos eurodeputados foi denunciada pelo deputado opositor Francisco Sucre, através do Twitter, onde afirma que a delegação já tinha chegado ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, a norte de Caracas, o principal do país.
“Queremos alertar a opinião pública nacional e internacional que o regime usurpador de Nicolás Maduro acaba de proibir a entrada na Venezuela de uma delegação de eurodeputados que vieram a convite da Assembleia Nacional da Venezuela e do seu presidente Juan Guaidó”, escreveu.
Numa outra mensagem, o deputado afirma que esta é uma “nova amostra de que Nicolás Maduro é um tirano que pretende isolar a Venezuela do concerto das nações livres e que gera sofrimento no seu povo, que padece de uma emergência humanitária complexa”.
“Denunciamos este novo atropelo contra a liberdade e a democracia. Proíbem a entrada aos eurodeputados e retêm os seus passaportes sem razão ou explicação alguma, o que é um abuso de força de um regime que recorre à força para aferrar-se ao poder”, sublinhou.
Francisco Sucre publicou ainda um vídeo, em que explica que os deputados mostraram às autoridades uma carta com o convite feito pela presidência da Comissão de Política Exterior do Parlamento, mas que obtiveram como resposta “isso não vale nada”.
Entretanto, também através do Twitter, o porta-voz do Partido Popular espanhol, Esteban González Pons, um dos deputados expulsos da Venezuela, explicou que “a única explicação” para o sucedido é que Maduro “não os quer” no país.
A delegação estava composta pelos eurodeputados Esteban González Pons, José Ignácio Salafranca Sánchéz-Neyra e Juan Salafranca. Dela fazia parte também o eurodeputado português Paulo Rangel, que perdeu o voo de ligação entre Madrid e Caracas.
Eurodeputados não eram bem-vindos na Venezuela
A delegação do Parlamento Europeu que foi impedida de entrar na Venezuela, no domingo, tinha sido notificada “há vários dias” de que “não seria admitida” no país, disse esta segunda-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano.
“Por vias oficiais e diplomáticas, as autoridades do Governo Bolivariano da Venezuela, notificaram, há vários dias, o grupo de eurodeputados que pretendia visitar o país com fins conspirativos, que não seria admitido”, escreveu Jorge Arreaza, na sua conta do Twitter.
Segundo o ministro venezuelano, as autoridades da Venezuela “instaram” os deputados “a desistir” da visita “e evitar assim outra provocação”.
“O Governo constitucional da República Bolivariana da Venezuela não permitirá que a extrema direita europeia perturbe a paz e a estabilidade do país com outra das suas grosseiras ações ingerencistas. A Venezuela se respeita!”, escreveu Jorge Arreaza numa outra mensagem.
Guaidó crítica expulsão pelo “regime isolado e irracional”
O autoproclamado Presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, criticou a expulsão de cinco eurodeputados do país, no domingo, atribuindo a decisão a um “regime isolado e cada vez irracional”.
“Exerçamos toda a pressão necessária para pôr fim a esta usurpação. Vamos continuar!”, escreveu Guaidó no Twitter, depois de uma delegação do Parlamento Europeu ter sido impedida de entrar no país.
O regime de Nicolás Maduro, apoiado pela Rússia, China, Turquia, Irão e Cuba, controla as fronteiras do país. Juan Guaidó, líder da Assembleia Nacional que se autoproclamou presidente interino, é reconhecido por cerca de 50 países, entre eles os Estados Unidos, sem ter as alavancas do poder executivo.
A Colômbia, que reconheceu Guaidó nesse mesmo dia, não tardou a responder à expulsão dos deputados. “O Governo da Colômbia repudia que a ditadura tenha impedido a entrada na Venezuela de membros da delegação do Parlamento Europeu. Muito em breve, o país irmão voltará a ter democracia e liberdade”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Holmes Trujillo, também no Twitter.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Claro, era de prever, e vai daí o "nosso" Paulo Rangel, à boa maneira PSD, temendo o pior, "perdeu" o avião. Perder aviões é muito conveniente, não é? Outro dia perdi 10 euros e ficou super aborrecido, nem imagino o que seria perder um avião.