Nuno Fox / Lusa
O ministro das Finanças, João Leão
O défice do último trimestre do ano deverá registar o segundo valor mais alto dos registos oficiais enviados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para serem avaliados em Bruxelas.
Os cálculos do DN/Dinheiro Vivo não são animadores: o défice do quarto trimestre deve ultrapassar os 14% do PIB, valor que é consistente com um défice anual de 7,3%, como estimam o Ministério das Finanças, a Comissão Europeia e a OCDE.
Na quarta-feira, o Instituto Nacional de Estatística revelou que o rácio do défice público disparou para 10,5% do PIB no segundo trimestre por causa da pandemia. No verão, a situação sanitária acalmou e algumas medidas foram aliviadas, o que acabou por refletir-se no défice de julho a setembro: baixou para um valor equivalente a 3,8% do PIB.
Segundo o matutino, o défice de janeiro a setembro ia em 4,9%, mas a situação do último trimestre do ano deverá ser muito mais desfavorável.
No quarto trimestre de 2020, o turismo travou a fundo, várias atividades voltaram a deparar-se com medidas restritivas muito duras
e os vários fins de semana de recolher obrigatório não ajudaram a economia, nomeadamente a restauração, um dos setores mais prejudicados.No Orçamento de Estado para 2021, o Governo já disse estar à espera de um défice anual na ordem dos 7,3% do PIB, uma estimativa partilhada pela Comissão Europeia e pela OCDE. Já o Conselho das Finanças Públicas antevê um valor de 7,2%.
De acordo com os cálculos do Dinheiro Vivo, isto significa que, no último trimestre, o desequilíbrio das contas públicas terá de ser 14% ou mais.
A confirmar-se, será o segundo maior défice trimestral das séries oficiais do INE. O valor mais negativo aconteceu no quarto trimestre de 2010, no último Governo PS, liderado por José Sócrates: nessa altura, o desequilíbrio ultrapassou os 19%.
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Os socialistas sempre a bater recordes, os otários sempre de olhos fechados.