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O primeiro-ministro elogiou, esta quarta-feira, a decisão da TAP de adicionar e ajustar os planos de rota, considerando que “quem emenda o erro merece regozijo e satisfação”.

Esta quarta-feira, em comunicado, o Conselho de Administração da TAP — órgão que integra o Estado e que é detentor de 50% do capital — indicou que “a companhia está empenhada e vai de imediato colaborar com todos os agentes económicos, nomeadamente associações empresariais e entidades regionais de turismo”.

O Conselho de Administração referiu ainda que pretende “viabilizar o maior número de oportunidades, adicionar e ajustar os planos de rota anunciados para este momento de retoma por forma a procurar ter um serviço ainda melhor e mais próximo a partir de todos os aeroportos nacionais onde a TAP opera”.

Os administradores indicaram ainda que este plano, “considerando o período difícil que Portugal atravessa, ficará, naturalmente, subordinado aos constrangimentos legais que existam quanto à mobilidade das pessoas e ao transporte aéreo”.

De imediato, o primeiro-ministro regozijou-se com este anúncio. “Quanto à TAP, só me posso regozijar que quem erra emende o erro. Isso não merece censura. Isso, pelo contrário, merece regozijo e satisfação”, declarou António Costa, que falava em conferência de imprensa, em São Bento.

Segundo o primeiro-ministro, “é essencial para o país que a TAP seja bem gerida, que tenha condições de sustentabilidade e que seja um instrumento de desenvolvimento e coesão nacional”.

A TAP é um instrumento fundamental para o país. Por isso, logo no início do meu primeiro Governo fiz questão de recomprar 50% do capital. Queremos que a TAP continue a ser um parceiro essencial do desenvolvimento do país — um desenvolvimento que tem de ser feito no seu todo, aproveitando e rentabilizando todas as infraestruturas que o país dispõe”, acentuou.

Costa referiu ainda que o aeroporto de Lisboa está saturado e que “o aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto é uma infraestrutura extraordinária, mas tem subutilização”. “Ora, não é uma boa gestão dos recursos concentrar toda a atividade num dos aeroportos, não aproveitando todo o potencial dos outros aeroportos do país”.

AMP diz que comunicado da TAP “sabe a pouco”

Em declarações à rádio TSF, o presidente da Área Metropolitana do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, disse que o comunicado “sabe a a pouco”, sendo “muito vazio de conteúdo” na resposta aos problemas.

Foi uma desilusão, apesar de sentir que houve uma porta entreaberta”, afirma à rádio o também presidente da Câmara Municipal de Gaia, acrescentando que espera ver “um plano num curtíssimo espaço de tempo”.

O autarca aponta mesmo este fim-de-semana como limite para ver a questão “perfeitamente resolvida”, até porque o tecido económico e as universidades da região Norte precisam de respostas. Eduardo Vítor Rodrigues dá como exemplo a Universidade do Porto, “que tem o maior volume do programa Erasmus do país”.

“Não é viável nenhum plano que exclua destinos que são os tradicionais da nossa atividade económica, como Milão, Madrid, Barcelona ou Paris”, acrescenta o presidente da AMP, que diz serem “óbvios numa fase destas” e aos quais se juntam os destinos de onde vêm muitos emigrantes.

Turismo do Porto e Norte satisfeito com a decisão

Em entrevista à rádio Renascença, o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, considerou “sensata” esta decisão da TAP.

“Vemos isto como uma boa noticia. É uma posição e uma decisão sensata, que vai ao encontro das palavras do senhor primeiro-ministro e que vai, também, ao encontro daquilo que foi solicitado por um conjunto de autarcas do país e pelas entidades regionais do turismo”, declara.

O responsável pelo turismo do Porto e Norte de Portugal espera que venha a surgir “um plano completamente diferente, que cumpra aquele que é o objetivo: Termos uma companhia de bandeira que deve cumprir o grande objetivo de não estar, apenas, ao serviço de uma região, mas de estar ao serviço de todo o país.”

Plano de apoio à TAP “terá critérios ambientais”

Entretanto, em entrevista ao Jornal de Negócios, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, assegurou que o plano de apoio à TAP “terá nos seus múltiplos critérios também critérios ambientais“.

A TAP tem a sua operação praticamente parada desde o início da pandemia, à imagem do que aconteceu com as restantes companhias aéreas, prejudicadas pelo confinamento e pelo encerramento de fronteiras para conter a covid-19.

O Estado e os acionistas privados da transportadora estão há várias semanas em negociações para decidir como é que o dinheiro vai ser injetado. Estima-se que a injeção do Estado deverá rondar os mil milhões de euros.

Desde 2016 que o Estado, através da Parpública, detém 50% da TAP, resultado das negociações do Governo com o consórcio Gateway (de Humberto Pedrosa e David Neeleman), que ficou com 45% do capital da transportadora. Os restantes 5% da empresa estão nas mãos dos trabalhadores.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]