Mohammed Saber / EPA

Ismail Haniyeh, líder do movimento Hamas

O movimento islâmico Hamas apelou a uma nova revolta popular palestiniana contra a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Esta quinta-feira o grupo Hamas, liderado por Ismail Haniyeh, convocou uma Intifada – o nome que os palestinos dão às revoltas populares. O apelo surge um dia depois do Presidente dos EUA ter reconhecido Jerusalém como capital de Israel.

“Que o 8 de dezembro seja o primeiro dia da Intifada contra o invasor“, declarou Ismail Haniyeh. O líder do Hamas acrescentou ainda que “o chamado acordo de paz foi enterrado de uma vez por todas”.

Após o anúncio de Donald Trump, choveram críticas de todo o mundo, sinais de preocupação, com apenas Israel a saudar a decisão do presidente dos EUA. Além disso, O exército israelita anunciou que vai destacar forças suplementares na Cisjordânia, território palestiniano ocupado.

No anúncio, o Presidente dos EUA disse que esta era uma decisão que “há muito que já deveria ter sido tomada”. Os Estados Unidos transformaram-se assim no único país do mundo a reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

No seu discurso, o Presidente norte-americano disse, no entanto, que continua a defender uma solução de “dois Estados” naquela região – Palestina e Israel – e disse que “tudo fará para promover uma solução pacífica”, enquanto assinava a ordem de transferência da embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém.

Trump apelou à “calma” e à “tolerância” na sequência do seu anúncio, e indicou que o seu vice-presidente, Mike Pence, se irá deslocar ao Médio Oriente “nos próximos dias”. “Hoje apelamos à calma, à moderação, e que as vozes da tolerância se sobreponham a quem propaga o ódio”, declarou o Presidente dos EUA no decorrer da sua alocução.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também reagiu à decisão norte-americana, reafirmando que “Não há alternativa à solução de dois estados. Não há plano B. Vou fazer tudo nos meus poderes para apoiar os líderes israelitas e palestinianos no regresso a negociações significativas”.

Com cada vez mais líderes mundiais a manifestarem preocupações com o passo que veio reverter uma posição de longa data dos Estados Unidos e que coloca o país às avessas com a comunidade internacional, o reino sunita de Salman falou numa decisão “injustificada e irresponsável”, ecoando as críticas que outros chefes de Estado e de governo têm tecido ao Presidente norte-americano.

Em comunicado, os talibãs qualificaram o anúncio de Trump como “um ato de fanatismo antimuçulmano e um passo imprudente” e defenderam que “esta decisão de Trump vai avivar as chamas do conflito em todo o mundo, especialmente no Médio Oriente”.

“O Emirado Islâmico do Afeganistão apela a todos os muçulmanos e países islâmicos para que declarem a sua solidariedade para com Jerusalém e apoiem a resistência legal da oprimida nação palestiniana”, diz o mesmo comunicado.

 

Para os talibãs, a decisão demonstra que Washington está diretamente implicada em todas as “desgraças que têm irritado os muçulmanos durante décadas”, a usurpação das suas terras, o assassínio do seu povo e a tentativa de destruição dos valores islâmicos.

“Os Estados deixaram completamente a descoberto a sua face colonialista e declararam a sua inimizade ao islão, bem como o apoio à política de ocupação e colonização de terras muçulmanas”, indicaram os rebeldes afegãos.

Além disso, os talibãs instaram o mundo muçulmano à união frente aos ataques contra o islão, afirmando mesmo que “a própria existência dos muçulmanos enfrenta imenso perigo”.

Os talibãs mantêm o conflito aberto no Afeganistão, onde foram conquistando paulatinamente terreno com a retirada de tropas estrangeiras até que Donald Trump anunciou, este ano, uma nova estratégia para a região que implica o aumento de soldados norte-americanos no terreno.

Oito das 15 nações que compõem o Conselho de Segurança da ONU pediram, com caráter de emergência, ao organismo que convocasse uma reunião até ao final desta semana. O encontro foi marcado para esta sexta-feira a pedido de França, Bolívia, Egito, Itália, Senegal, Suécia, Reino Unido e Uruguai e contará também com a presença de Guterres.

O que são as Intifadas?

Na sua história, os palestinianos já passaram por duas Intifadas, o nome popular para a insurreição dos palestinianos da Cisjordânia contra Israel.

As intifadas foram utilizadas pelos palestinianos como instrumentos de resistência dos palestinianos e, em ambas as vezes, acabaram por se transformar em longos ciclos de violência de difícil resolução.

A primeira aconteceu há precisamente 30 anos, com a população civil a atirar, espontaneamente, paus e pedras contra os militares israelitas.

A segunda Intifada surge com Arafat a recusar a proposta de paz de Israel e teve início em 29 de setembro de 2000, o dia seguinte à caminhada de Ariel Sharon, ex-primeiro ministro israelita, pela Esplanada das Mesquitas e no Monte do Templo, nos arredores da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém – área considerada sagrada tanto por muçulmanos quanto por judeus

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