Manuel de Almeida / Lusa
Jerónimo de Sousa e António Costa foram os convocados para o primeiro debate entre partidos para as legislativas de outubro. No frente-a-frente desta segunda-feira, a legislação laboral foi o único cartão vermelho da partida.
Os líderes do PCP e do PS escolheram a mesma cor para a gravata – vermelha -, numa concordância que ficou bem patente do primeiro ao último minuto do debate das legislativas, moderado pela pivô da SIC, Clara de Sousa.
“O senhor deixou claro que gostou mais de trabalhar com um do que com outro”, afirmou a jornalista, procurando saber porque é que António Costa considerou mais fácil trabalhar com o PCP do que com o Bloco de Esquerda. “Nunca disse que era mais fácil, disse sempre que não seria justo fazer comparações. Não quero diminuir a exigência que o PCP sempre pôs nesta relação”, disse o primeiro-ministro.
O debate arrancou com o balanço de ambas as partes dos quatro anos de acordo das esquerdas. Jerónimo de Sousa agarrou-se a um ditado popular para responder a Clara de Sousa, que insistia saber se o líder do PCP mantinha, ou não, a confiança em António Costa.
E a resposta não podia ser mais clara: “Tenho por hábito tratar as pessoas com respeito. Mas sinceridade não pode confundir-se com as questões políticas. É preciso valorizar o que se conseguiu, há quatro anos, para desbloquear uma situação e encetar um processo de reposição de direitos e rendimentos”, respondeu. Mas quanto a “confiança”, “como dizia a minha mãe, a melhor prova do pudim é comê-lo“.
Afinal, “quem é que comeu quem?”, questionou a jornalista, que recebeu um “ninguém” como resposta. Jerónimo garantiu que tem “orgulho” no que conseguiram alcançar ao longo de quatro anos de legislatura, admitindo que a ação e o diálogo estabelecido com o Partido Socialista permitiu “coisas que” o PCP valoriza “muito”.
Num debate morno, nem as “questões insanáveis” que separam os dois partidos, nem as declarações sobre a legislação laboral aqueceram o ringue de combate. Jerónimo de Sousa criticou o facto de as alterações ao código de trabalho terem sido aprovadas com a direita, repetindo que “para cada posto de trabalho permanente deve haver um posto de trabalho efetivo”.
António Costa retorquiu, afirmando que “esta é a primeira legislação que em vez de comprimir os direitos, alarga os direitos dos trabalhadores” e adiantando que as empresas têm de perceber que, “se querem ser competitivas a vender, têm de ser competitivas a contratar”.
Além disso, o primeiro-ministro argumentou que o PSD e o CDS não votaram a favor da reforma, mas que esta “resultou de um acordo feito em concertação social”. “Na verdade, os partidos da direita abstiveram-se na votação, permitindo a viabilização das alterações propostas pelo Governo.”
Depois de atirar para cima da mesa dados sobre a criação de emprego dos últimos quatro anos, Costa regressou ao tom de cavalheirismo e afirmou: “olhe, é também resultado do trabalho de Jerónimo de Sousa”.
Sobre o salário mínimo, outro tema que afasta os líderes partidários, Costa sublinhou que “com o PCP nunca houve acordo para o salário mínimo nacional porque o PCP nunca concordou com o valor”, tendo assumido, depois, que é preciso aumentar o SMN.
“Aparentemente há aqui uma convergência”, declarou Jerónimo, dizendo que fica a faltar o “quando e o quanto”.
Quando tudo apontava para um clima tenso e propício a confronto, Jerónimo e Costa foram cordiais e civilizados. O líder comunista até recusou a classificação feita por Clara de Sousa de que o PS seria um partido de direita para o PCP: “Nunca dissemos isso, o que dizemos é que tem uma política de direita.”
As últimas perguntas do debate desta segunda-feira visaram, em particular, Jerónimo de Sousa e António Costa. O primeiro considera-se parte da solução e não do problema do PCP – “há quem afunile a vida para as eleições, as eleições são muito importantes, mas reduzir a minha atividade ao resultado das eleições… então estaria aqui a mais com certeza”, afirmou.
Já o líder socialista escusou-se a esclarecer se irá convidar Mário Centeno a integrar um próximo Governo, caso vença as eleições legislativas de 6 de outubro.
“A primeira questão é saber se eu serei primeiro-ministro. Aquilo que posso dizer é que Mário Centeno é candidato a deputado, está comprometido com a atividade política, todos fazemos uma avaliação positiva do trabalho que desenvolveu. Não vou estar aqui a formar um Governo sem ter mandato para o formar. Os convites para o Governo farei quando tiver legitimidade para os fazer”, disse António Costa.
Numa alusão ao futebol, e depois de muito fintar a resposta, o atual primeiro-ministro acabou por admitir que, “quem tem de formar uma equipa, não deixa no banco, com certeza, os melhores que pode pôr a jogar“.
Os debates que irão sentar frente-a-frente os líderes partidários candidatos às legislativas arrancaram esta segunda-feira com Jerónimo de Sousa e António Costa. Nas próximas semanas, e até ao final do mês, os partidos com assento parlamentar vão discutir as suas propostas eleitorais nos canais televisivos.
Esta terça-feira, segue-se o debate político entre Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, e Assunção Cristas, do CDS, transmitido na RTP3.
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parecia uma peça de teatro do saudoso nicolau breyner com o Herman Jose "como está Sr contente...."
quando for com o BE deve ser mais na linha do Luis de Matos.