Rui Moreira / Facebook

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira

A rutura na coligação entre o socialista Manuel Pizarro e o independente Rui Moreira foi um dos temas que marcou o debate televisivo desta terça-feira à noite. O atual autarca chegou mesmo a admitir que sente a falta do socialista.

Segundo o Observador, a primeira pergunta dirigida a Rui Moreira foi precisamente sobre o afastamento do socialista. “Sente falta de Manuel Pizarro?“, perguntou a jornalista da SIC, Clara de Sousa, no debate televisivo desta terça-feira sobre as autárquicas no Porto.

“Com certeza”, respondeu o atual autarca da invicta. “Desde logo em termos pessoais, tenho muita consideração por Manuel Pizarro“, acrescentou.

Mas João Teixeira Lopes, candidato do Bloco de Esquerda, tentou logo pôr um ponto final nesse assunto. “Este assunto não interessa nada aos portuenses”, destacou, relembrando ainda que o socialista e o independente têm programas muito idênticos ou quase iguais.

Foi aí que entrou a candidata da CDU, Ilda Figueiredo, que diz ser a “única alternativa” no Porto e recordando que o resto das obras na cidade “está por fazer”. “O Bolhão não saiu do papel, o mercado da Sé não saiu do papel, mesmo o arranjo do Rosa Mota, o Matadouro e obras fundamentais como o Aleixo”, enumerou. Álvaro Almeida (PSD/PPM) teve de concordar: “Não há nenhuma obra relevante” ao fim de quatro anos, cita o jornal online.

“Não conseguimos concretizar tudo”, reconheceu Rui Moreira, “mas não houve nada que eu fizesse que fosse contrário ao que eu tinha dito”, esclareceu.

Caso Selminho

A primeira metade do debate foi marcada pelo passado e continuou depois com outro dos temas polémicos que envolve o nome do atual Presidente da Câmara: o caso Selminho, imobiliária do autarca e de familiares seus que mantém um diferendo com a autarquia por causa de um terreno.

“A CDU considera que é uma questão criminal, nós consideramos que é uma questão administrativa e ética. O caso esteve parado quinze anos e avança quando Rui Moreira chega à Câmara”, lembrou o candidato do Bloco. “Faltou poder de fiscalização na Câmara, Pizarro fez mal em ter ficado silencioso sobre esta questão”, disse ainda.

Já Álvaro Almeida considerou “muito pouco ético que um candidato que tem um diferendo com a Câmara do Porto se apresente sem revelar que esse diferendo existe” e, além disso, que tome decisões “que envolvem uma empresa que é parcialmente sua e só mais tarde é que viemos a saber. O Porto merecia saber disso desde o início“, atacou.

“O caso Selminho não está encerrado porque convém a estes senhores fazerem uma campanha suja“, defendeu-se Rui Moreira.

O “boom” do turismo, a habitação e os transportes

Só depois de ultrapassado este assunto é que foi possível ouvir os candidatos apresentarem algumas das suas propostas para a cidade, como escreve o jornal Público.

A pressão do turismo sobre o centro e a dificuldade em conseguir habitação a preços razoáveis foi o mote para Pizarro apresentar a sua proposta de construir habitação em parceria com privados. “PPP [Parceria Público Privada]”

, atacou João Teixeira Lopes.

Rui Moreira, por sua vez, disse que “a fiscalidade” irá ajudar a resolver o problema de falta de habitação para a classe média e, mostrando-se favorável à parceria com privados, disse que é preciso “densificação próxima das paragens de metro”.

Ilda Figueiredo também aproveitou para relembrar que a câmara “devia parar para pensar” na atribuição de licenças para novos alojamentos turísticos na cidade e “rever o regulamento municipal para impedir o aumento das rendas”.

No tema dos transportes, o autarca independente mostrou-se satisfeito com a nova linha de metro anunciada para a cidade e defendeu que, sem metro, o trânsito não melhora.

Com a exceção de Pizarro, os outros candidatos aproveitaram a questão para contestar o aumento dos parcómetros na cidade e insistirem na necessidade de construir sim a linha de metro do Campo Alegre.

Críticas por faltar ao debate para ir ver jogo da Seleção

Rui Moreira não escapou às críticas dos rivais pelo facto de ter estado ausente do primeiro debate televisivo, feito na TVI, momento em que esteve presente no Estádio do Bessa para assistir ao jogo da Seleção contra as Ilhas Faroé.

O autarca justificou-se dizendo que, no total, foi convidado para dez debates e que, conjugando o trabalho na Câmara com a campanha eleitoral, só aceitou ir a quatro, o dobro dos que fez há precisamente quatro anos.

Nos minutos finais do debate, a jornalista da SIC quis saber se Rui Moreira ia pedir maioria absoluta. “Não. O que é importante é ganhar as eleições”, sublinhou, relembrando que, embora seja mais fácil governar em maioria, “desde o dia 7 de maio que estou em minoria e mesmo assim, com exceção de uma questão ligada à cultura (…), temos conseguido governar”, afirmou.

Para Pizarro e Álvaro Almeida, não há dúvidas de que um bom resultado é ganhar as eleições. Por sua vez, os candidatos mais à esquerda garantiram que não fazem acordos. Teixeira Lopes assegurou que os votos no BE “não vão para o bolso de Rui Moreira, nem para as PPP” e Ilda Figueiredo terminou a dizer que não faz “acordos com partidos de direita”.

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