David Neeleman, atual principal acionista privado da transportadora aérea portuguesa TAP, financiou parcialmente um dos estudos científicos mais citados para desvalorizar o impacto e a letalidade do novo coronavírus.

De acordo com o BuzzFeed News, a informação chegou através de uma queixa de um whistleblower feita à Universidade de Stanford.

O estudo, que sugeria que a letalidade do novo coronavírus, era semelhante à da gripe foi alvo de revisão por algumas falhas detetadas. Segundo o estudo,a taxa de mortalidade seria afinal de 0,12% a 0,2%, semelhante à do vírus da gripe, o que significaria que apenas uma a cada duas pessoas morreriam por cada mil infeções.

Um infeciologista de Stanford terá manifestado preocupações com as conclusões, referindo que os testes tinham eficácia muito duvidosa na deteção de anticorpos. Outro especialista terá também colocado em causa a eficácia dos testes usados na população que serviu de amostra, alertando para o risco de serem incluídos casos de “falsos positivos”.

A revelação sobre o financiamento de Neeleman levantou dúvidas sobre os possíveis conflitos de interesses

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Neeleman foi um dos grandes afetados pelas medidas de contenção impostas em vários países para tentar travar a propagação da pandemia. Entre as medidas estiveram o encerramento de fronteiras e restrições ao tráfego aéreo. A TAP aderiu ao regime de apoio público lay-off devido à paralisação do setor da aviação.

O whistleblower disse, ao Buzzfeed News, que Neeleman teve influência na escolha dos investigadores envolvidos no estudo que financiou, selecionando académicos que “partilhavam a sua opinião de que o vírus era menos mortal do que se acreditava”.

Um dos principais autores do estudo, John Ioannidis, disse que não estava a par de que Neeleman estivesse entre os financiadores da investigação. Também Eran Bendavid, académico da Universidade de Stanford, disse que não estava a par de quem foram os financiadores.

Por outro lado, Neeleman confirmou ter doado 5 mil dólares (4.620 euros) à Universidade de Stanford para apoiar a produção deste estudo e confirmou também que manteve contacto com os investigadores durante a elaboração do estudo. Porém, negou ter tido qualquer influência nos métodos adotados ou nos resultados apresentados.

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