André Ventura, líder do Chega, tem-se reunido com vários empresários portugueses, alguns dos quais têm feito muito dinheiro em contratos com o Estado, para conseguir apoios financeiros para o seu partido.
Identificados pela revista Visão como “poderosos” e “homens de negócios”, alguns empresários nacionais estiveram reunidos com André Ventura na quinta do Barruncho, em Loures, no passado dia 18 de Junho, durante um almoço.
Um encontro onde terão sido abordados “eventuais contributos financeiros para o Chega”, de acordo com a Visão.
O vice-presidente do Chega, Diogo Pacheco de Amorim, também esteve no almoço, mas garante à Visão que o encontro foi apenas “para trocar impressões”, negando a ideia de que se tenha falado de dinheiro. A revista assegura, contudo, que outras fontes dizem o contrário.
O almoço terá sido organizado por João Maria Bravo, o dono do grupo Sodarca que lidera o fornecimento de armas e tecnologia militar ao Estado Português, designadamente às Forças Armadas e a forças de Segurança. Ele é também dono da Helibravo, a empresa de helicópteros de combate aos incêndios que tem igualmente contratos com o Estado.
A Sodarca e a Helibravo terão facturado, durante os Governos de António Costa, cerca de 33,3 milhões de euros em contratos públicos.
João Maria Bravo também esteve presente no almoço com Ventura e fala dele como “brilhante”, conforme declarações à Visão.
O empresário nota na publicação que o líder do Chega “é o único que coloca o dedo na ferida e fala do que queremos ouvir”. “Faz propostas honestas, pretende pôr o país na ordem, combater a impunidade e fazer a economia florescer”, salienta ainda.
“Tenho excelentes contactos nas forças policiais e militares e garanto que ele conta com muitos apoios. Só não existem mais apoios declarados nessas áreas porque não se podem manifestar”, acrescenta João Maria Bravo que promete que “em termos de ajuda financeira far-se-á o necessário” por André Ventura e pelo Chega.
Também o líder do grupo das tintas Barbot, Carlos Barbot, esteve neste almoço, tal como Miguel Félix da Costa
que tem interesses nas áreas do imobiliário, do turismo, da agricultura e da criação de cavalos. Félix da Costa foi uma das pessoas que desfilou ao lado de Ventura numa recente manifestação em Lisboa.O empresário João Ortigão Costa, da Sugal Group, o advogado João Pedro Gomes da conhecida sociedade BSGG, e Francisco Sá Nogueira, ex-vice presidente de uma antiga holding do Grupo Espírito Santo (GES) também se reuniram com Ventura em Loures.
No almoço esteve ainda Paulo Mirpuri, ex-dono da companhia de aviação Air Luxor que faliu e CEO da Hi-Fly, a empresa que o Governo contratou para ir à China buscar equipamento de protecção médica por causa da pandemia de covid-19.
Também o advogado Francisco Cruz Martins, que foi associado aos escândalos do Banif, do BES, de Vale do Lobo, aos Panamá Papers e a várias figuras angolanas, almoçou com Ventura. O seu argumento para o apoio ao líder do Chega prende-se com o facto de “abanar o status quo e atacar os compadrios políticos“, como diz à Visão.
O dirigente do Chega, Salvador Posser de Andrade, que foi administrador de uma empresa imobiliária do universo GES, foi outro dos convivas do encontro, assumindo à Visão que usou os seus contactos para ajudar Ventura, nomeadamente a angariar dinheiro para o partido.
“É natural que comece a aparecer mais dinheiro e alguns amigos possam ajudar-nos a tornar o Chega maior”, refere ainda Salvador Posser de Andrade.
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Mas este senhor não dizia ser contra o sistema? Parece que não é bem assim...