José Coelho / Lusa

O ex-líder parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro

Foram várias as vozes que se insurgiram contra Rui Rio no pós-legislativas. No PSD, já há quem pense no próximo desafio eleitoral que o partido tem pela frente e Luís Montenegro recolhe apoios. O momento de arranque da candidatura do antigo líder parlamentar será um jantar em Espinho. 

Assim que estivessem contados todos os votos e as piores expectativas se concretizassem, Rui Rio saberia que teria à sua espera as vozes críticas que nunca o pouparam. Assim tem sido neste pós-legislativas, com várias vozes a insurgirem-se, incluindo Miguel Relvas, ex-ministro e ex-secretário-geral do PSD, que pediu um “novo líder”.

Ao mesmo tempo, e no extremo oposto, Luís Montenegro vai recolhendo apoios no seio do partido. Segundo apurou o Público, alguns deles cruzam-se com futuras escolhas para as eleições autárquicas de 2021 uma vez que, no partido, já há muita gente a pensar no próximo desafio eleitoral que o PSD tem pela frente.

Fonte social-democrata ouvida pelo diário afirmou que “o PSD, que já foi o grande partido autárquico, não pode arriscar um mau resultado em 2021, como tendo vindo a acontecer, e quem estiver à frente do partido tem de fazer das autárquicas uma prioridade do mandato”, garantindo que há alinhamentos que estão a ser feitos com Montenegro já a pensar nas eleições locais.

O momento de arranque da candidatura de Luís Montenegro será um jantar na sua terra natal, em Espinho, para comemorar o 10.º aniversário da conquista da câmara municipal pelo PSD. O megajantar, marcado para o próximo sábado, terá 600 convidados.

No dia a seguir Às eleições legislativas, a missão dos críticos de Rio era provar que esta não era uma derrota suave. Bruno Vitorino, líder da distrital de Setúbal, foi um dos mais violentos, ao afirmar que sentiu “vergonha ao ouvir o presidente do PSD a fazer um discurso de quase vitória”.

Mas as críticas estendem-se até aos que já estiveram ao lado do atual líder do partido. É o caso de Carlos Morais

, líder da distrital de Viana do Castelo e mandatário de campanha nas eleições internas, que disse que “Rio não se pode queixar, vimo-lo quase a sacudir a água do capote, como se não fosse nada com ele”.

Rui Rocha, líder da distrital de Leiria, não se ficou por menos. “É uma derrota contrariamente ao que o presidente do PSD diz. É claro que não é positivo”, afirmou. Outro líder distrital, Pedro Alves, de Viseu, apontou na mesma direção: “Não há derrotas honrosas”.

Para Emídio Sousa, presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, o resultado “deu para respirar de alívio”, mas “não deixa de ser uma derrota significativa”. Já João Moura, líder da distrital de Santarém, disse que “só não vê quem não quer”. “Não há derrotas morais. É mau em toda a linha.”

A voz da exceção veio de Braga, com José Manuel Fernandes, líder da distrital, a garantir que o PSD “teve um resultado acima das expectativas de quando começou a campanha”. E foi mais longe, dizendo não ver “nestas eleições outro militante que pudesse ter melhores resultados” do que Rui Rio.

Par José Manuel Fernandes, estes números são um “excelente indicador” para as eleições autárquicas, aquelas que Rio colocou como prioritárias quando foi eleito líder do partido.

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