Paulo Novais / Lusa
O 28.º congresso nacional do CDS arrancou este no Parque de Feiras e Exposições de Aveiro com o discurso da líder demissionária Assunção Cristas, que fez uma espécie de mea culpa e agradeceu aos centristas que a acompanharam.
“Cumpri o caminho traçado, mas falhei o resultado”, disse Assunção Cristas, a primeira mulher a liderar o CDS, no seu discurso de despedida. “Falhei porventura a análise das possibilidades que se abriam com as novas circunstâncias políticas e os resultados ficaram muito aquém das minhas e das vossas legítimas expectativas“, continuou.
Assunção Cristas recordou ainda o percurso do CDS, dando conta que propôs ao partido um caminho focado nos “problemas das pessoas” e “assente na matriz comum”. “Esperava-nos um ciclo de oposição, que uns vaticinavam curto mas que, na minha opinião, duraria a legislatura completa, como se veio a verificar”.
“Uns dirão que a estratégia estava errada. Outros dirão que cometemos erros táticos ou na comunicação. Ouvi atentamente muitas análises e, naturalmente, tenho a minha própria. Mas este não é o momento nem o dia apropriado para dissecar os erros desse roteiro. O tempo encarregar-se-á dessa análise detalhada”, explicou.
Cristas deixou ainda agradecimentos aos que a acompanharam e um último pedido. “Se vos posso fazer um pedido é que o debate deste congresso seja profundo, sério, leal e a olhar para o futuro. Um debate assente nas ideias e nas pessoas, porque em política não há boas ideias sem boas pessoas para as defender e o inverso também é verdade”.
“Entrei há 12 anos para o CDS, comecei como alguém que vinha de fora. Hoje saio da liderança com a mesma liberdade com que entrei para o partido”, disse ainda a líder cessante dos centristas, dizendo que em política “nunca se pode esperar reconhecimento”.
A líder centrista cessante abandonou o congresso logo depois de ter proferido o seu discurso, que durou cerca de 13 minutos. Assunção Cristas, recorde-se, anunciou que não se ia recandidatar à liderança do CDS após as legislativas de outubro passado, em que o CDS perdeu 13 deputados ao reunir apenas 4,2% dos votos.
Cinco candidatos num congresso imprevisível
Cinco candidatos disputam no congresso deste fim-de-semana a liderança do CDS-PP: Abel Matos Santos, da Tendência Esperança em Movimento (TEM), o deputado e porta-voz João Almeida, o antigo parlamentar Filipe Lobo d´Ávila, do grupo “Juntos pelo Futuro”, o ex-presidente da concelhia de Viana do Castelo, Carlos Meira, e o líder da Juventude Popular (JP), Francisco Rodrigues dos Santos.
Um dos momentos decisivos do Congresso é a votação das moções dado que é uma espécie de primeira volta para escolher o líder. E quem vencer, por norma, apresenta uma lista candidata à comissão política nacional e demais órgãos do partido.
Cristas, que rendeu Paulo Portas na liderança do PSD, não revelou que candidato apoia para liderar o partido. Este é um congresso “imprevisível”, tal como frisa o semanário Expresso, dando conta que ninguém sabe o que acontecerá nas próximas 58 horas.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
"Cristas, que rendeu Paulo Portas na liderança do CDS, não revelou que candidato apoia para liderar o partido" e não "na liderança do PSD".