José Sócrates volta a usar o seu canal do Youtube para se defender publicamente das acusações de que é alvo, no âmbito do processo Operação Marquês. Desta feita, o ex-primeiro-ministro refere-se ao projecto do TGV e nota que “o crime foi querer construir” o comboio de alta velocidade.

A teoria do Ministério Público (MP) é que Sócrates “interveio a favor dos interesses do Grupo Lena e seus parceiros de negócio”, nomeadamente no âmbito dos concursos do projecto TGV.

Uma ideia que Sócrates rejeita, salientando que, para os procuradores do MP, só “a decisão de construir o TGV foi em si própria um crime”.

O Tribunal de Contas rejeitou dar o seu aval ao projecto do TGV e ficou definido que o consórcio que tinha ganho o concurso, pertencente ao universo do Grupo Lena, teria direito a uma indemnização, atribuída por um tribunal arbitral.

“Felizmente os seus trabalhos e o seu acórdão demonstram a falsidade total desta história. A inclusão desta cláusula é da responsabilidade exclusiva do júri do concurso. Nunca esse júri recebeu qualquer orientação governamental”, assegura Sócrates.

“O tribunal arbitral explica que a cláusula em causa é absolutamente legítima, legal e justa, e conclui que foi negociada pelo júri de boa fé e em estrita defesa dos interesse do Estado”, acrescenta.

Sócrates também nega a teoria de que “instrumentalizou” elementos do seu Governo, nomeadamente os antigos ministros Mário Lino e António Mendonça, para tomarem decisões favoráveis ao Grupo Lena e aos seus interesses. Uma ideia que o ex-governante define como “fábula” do MP

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O antigo primeiro-ministro também promete continuar a “desmontar a acusação” do MP contra si com mais vídeos no Youtube.

Monte no Alentejo foi “passo maior do que a perna”

Entretanto, o Expresso noticia que Sócrates transferiu para uma conta da ex-mulher, Sofia Fava, 110 mil euros para esta pagar as prestações de um monte no Alentejo.

Esse dinheiro terá sido transferido quando ele já estava preso em Évora e depois de Sofia Fava ter deixado de receber uma avença mensal de 5 mil euros de uma empresa de Carlos Santos Silva, o amigo de Sócrates que é considerado o seu “testa-de-ferro”.

O pagamento dessa avença cessou quando Sócrates e o amigo foram detidos. Dois meses depois, quando ainda estava preso em Évora, o ex-primeiro-ministro depositou 110 mil euros na conta da ex-mulher, reporta o Expresso.

Sobre a compra do Monte das Margaridas, que o MP acredita pertencer de facto a Sócrates, Sofia Fava disse aos investigadores da Operação Marquês que foi “um passo maior do que a perna”.

A ex-mulher de Sócrates contraiu um empréstimo de 760 mil euros em 2012, para comprar esse Monte no Alentejo. Carlos Santos Silva, de quem Sofia Fava falou aos investigadores como “o amigo rico”, foi o seu fiador nesse crédito atribuído pela Caixa Geral de Depósitos.

Sofia Fava colocou o Monte à venda em 2014, por um milhão de euros. O imóvel foi, entretanto, arrestado pelo tribunal. Se for vendido, a receita ficará retida até se saber se Sócrates é ou não condenado.

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