Miguel A. Lopes / Lusa

A CP – Comboios de Portugal quer reunir o conhecimento e experiência de várias entidades públicas e privadas portuguesas para construir um comboio de raiz numa oficina de Guifões.

O presidente da empresa, Nuno Freitas, pretende, de acordo com o jornal Público, envolver a academia no projeto, através da Faculdade de Engenharia do Porto e do Instituto Superior Técnico, bem como a indústria.

O dirigente da CP, que tomou posse há três meses, diz que a Efacec pode contribuir com o motor, a Salvador Caetano com a caixa e a Associação Portuguesa de Fundição com peças metálicas, por exemplo.

O caminho passará pela grande modernização das carruagens Sorefame e das automotoras UDD (Unidades Duplas Diesel). Estas unidades serão “descascadas” até ficar só o esqueleto metálico, a partir do qual nascerá uma nova unidade. Só os bogies e os motores deverão ser importados. Todas as restantes peças serão produzidas em Portugal, segundo o jornal.

Segundo o gestor, o comboio terá 75% de incorporação nacional e 25% importada e prevê ainda que, nos próximos 20 anos, a CP precise de, pelo menos, entre 200 e 250 unidades múltiplas elétricas.

Existem várias vozes críticas ao plano da empresa de transportes. Os detratores da estratégia questionam-se sobre como a CP, com a EMEF nela integrada, pode competir com os gigantes da indústria ferroviária.

Face à escassez de meios atual, esta é uma das soluções possíveis. O primeiro dos 22 novos comboios, cujo concurso público está a decorrer, não chegará antes de 2023. Até lá, mesmo com automotoras espanholas, a CP não tem capacidade para fazer face às necessidades.

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