José Coelho / Lusa

Hospital de São João, Porto

Depois dos dois primeiros casos confirmados de doentes com coronavírus em Portugal, a directora-geral de Saúde anunciou que os Hospitais de São João e de Santo António, no Porto,  tinham esgotado a sua capacidade para acolherem suspeitos da infecção, mas o Ministério da Saúde vem negar essa informação. 

A responsável da  Direcção Geral de Saúde (DGS), Graça Freitas, anunciou durante o programa “Prós e Contras” da RTP1 que os Hospitais de Santo António e de São João, no Porto, “esgotaram a capacidade” para acolherem pessoas com suspeitas de terem a infecção. Isto depois de os dois únicos casos confirmados de coronavírus em Portugal terem sido identificados no Porto.

Mas o Ministério da Saúde vem contradizer Graça Freitas, salientando, num comunicado enviado às redacções, que “os Hospitais de São João e Santo António mantêm a sua capacidade de resposta ao Covid-19“.

O Ministério reforça que também foram activadas “outras unidades da Região Norte (Hospital de Braga, Unidade Local de Saúde de Matosinhos e Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa)” para acolherem situações relacionadas com o covid-19.

A DGC confirma, até agora, apenas dois casos de doentes com o covid-19 em Portugal. Na segunda-feira à noite, a TVI24 anunciou que haveria mais dois casos com resultados positivos, mas essa informação não é confirmada pela DGS.

Entretanto, o Governo anunciou que a Segurança Social vai garantir o salário por inteiro aos trabalhadores do público ou do privado que precisem de ficar em isolamento por causa do vírus.

Dinheiro vivo pode espalhar o vírus

O balanço mundial quanto ao coronavírus está agora em 90.306 pessoas infectadas, 3.087 mortes e 45.707 pessoas curadas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

Entretanto, a OMS alerta que o vírus se pode propagar através de dinheiro vivo, especialmente notas que possam “mudar de mãos frequentemente”. Em declarações ao Daily Telegraph, um responsável da OMS destaca a importância de “lavar as mãos” depois de mexer em dinheiro e de evitar tocar na cara.

Além disso, recomenda que se utilizem “pagamentos contacless, para reduzir o risco de transmissão”.

Por todo o mundo, estão a ser cancelados eventos de modo a reduzir os riscos de propagação do vírus. Em Portugal, não se está a verificar o mesmo, mas vários grupos de peregrinos já cancelaram deslocações até Fátima.

A Conferência Episcopal Portuguesa recomenda que os fiéis recebam a comunhão na mão e que se omita, enquanto continuar a situação de risco, o gesto da paz nas eucaristias.

Em Itália, o Papa Francisco foi submetido a um teste para o novo coronavírus, a título de precaução, uma vez que está constipado há vários dias, mas os resultados deram negativo.

Em Espanha, o número de doentes com coronavírus já vai em 120, 46 deles em Madrid. O Governo está a ponderar encerrar escolas e restringir eventos que juntem muita gente, bem como limitar a circulação pública em zonas com focos do vírus.

Entretanto, com vários países a confirmarem os primeiros casos de coronavírus, a China anuncia um abrandamento no número de novos casos de doentes. Várias cidades chinesas continuam sob quarentena, com entradas e saídas bloqueadas, mas a prioridade dos responsáveis do país é, agora, evitar a “importação” de novos casos do vírus, algo que já está a acontecer, com pacientes que terão sido infectados em Itália.

Reunião extraordinária da Protecção Civil

O ministro da Administração Interna convocou para o fim desta tarde uma reunião extraordinária da Comissão Nacional de Protecção Civil para abordar as diferentes dimensões da coordenação estratégica relacionadas com o novo coronavírus.

Em comunicado, o gabinete do ministro Eduardo Cabrita avança que a reunião, que vai decorrer às 19 horas na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, vai contar com a presença da ministra da Saúde, Marta Temido.

A Comissão Nacional de Protecção Civil é presidida pelo ministro da Administração Interna, competindo-lhe, entre outros, adoptar mecanismos de colaboração institucional entre todos os organismos e serviços com responsabilidades no domínio da protecção civil, bem como formas de coordenação técnica e operacional entre os mesmos.

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