Os portugueses estão a recorrer a laboratórios privados para fazerem o teste à Covid-19, estando estas unidades hospitalares a encaixar cerca de 2,6 milhões de euros diários com o aumento da procura.

A notícia é avançada esta segunda-feira pelo Correio da Manhã, que dá conta que a capacidade dos privados é agora superior à do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Os laboratórios privados têm 17.000 mil testes diários, quase o dobro dos disponíveis pelo SNS (9.000). O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) desconfia dos números apresentados pela Ministra da Saúde, Marta Temido.

“Se existissem efetivamente 9 mil testes por dia, a linha SNS 24 não demorava quatro dias a dar autorização a casos suspeitos, que estiveram em contacto com infetados e que tinham sintomas, para fazer o rastreio”, disse Roque da Cunha, do SIM, ao matutino.

“Já deu para perceber que se forem 1.200 os testes feitos pelo conjunto de hospitais públicos, é muito”, concluiu o mesmo responsável.

Também nesta quarta-feira, o Jornal de Notícias escreve que a ADSE não revelou ainda em que moldes irá comparticipar a assistência médica dos seus doentes diagnosticados como o novo coronavírus, caso estes venha a ser tratados no privado.

A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) disse estar preocupada com a situação e já pediu esclarecimentos ao Governo. “Lamento dizê-lo, mas a ADSE não deu qualquer informação sobre o tratamento dos seus beneficiários“, disse Óscar Gaspar, o presidente APHP, em declarações ao matutino.

Os hospitais privados vão passar, a partir desta segunda-feira, a diagnosticar e tratar doentes com o novo coronavírus oriundo da China. As seguradoras já revelaram que estão disponíveis para pagar. Até agora, os privados eram obrigados a encaminhar os casos suspeitos para os hospitais públicos de referência.

A ADSE tem 1,2 milhões de beneficiários.

CUF, Luz e Lusíadas asseguram 432 camas

Os três maiores grupos de hospitalização privada de Portugal – CUF, Hospital da Luz e Lusíadas – estão disponíveis para reforçar o SNS com 432 camas de internamento para combater a Covid-19, avança o semanário Expresso.

Destas, 100 podem ajudar doentes graves que necessitem de ventilação.

“Para já, estas unidades apenas vão dar resposta às situações que lhes baterem à porta, mas num cenário de capacidade esgotada em alguns hospitais do SNS, os privados serão chamados a dar resposta à falta de camas”, escreve o mesmo jornal.

De acordo com o último balanço da Direção-Geral de Saúde, divulgado neste domingo por volta do meio dia, Portugal tem 1600 infetados com a Covid-19. Há ainda registo de 14 vítimas mortais e 1152 aguardam resultado laboratorial.

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