Hugo Delgado / Lusa

“Se alguém se excedeu, foi o ministro das Finanças da Holanda”, disse António Costa, esta sexta-feira. O primeiro-ministro português realçou ainda que “ou a UE faz o que tem a fazer ou acabará”.

No fim da visita ao Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel, em Matosinhos, António Costa foi questionado se não se excedeu quando classificou de “repugnante” o discurso do ministro das Finanças holandês, Wopke Hoekstra.

“Se alguém se excedeu, foi o ministro das Finanças da Holanda”, atirou o primeiro-ministro português, reiterando: “É repugnante, é mesmo repugnante”.

“Ou a União Europeia faz o que tem a fazer ou acabará. Acha normal alguém perguntar porque é que Itália e Espanha não têm condições orçamentais para enfrentar estas situações? Nós fechámos as contas de 2019 com excedente, a crescer mais que a média da União Europeia. Agora, quando toda a economia mundial paralisa é muito difícil exportar”, disse ainda Costa, citado pela TSF.

O chefe do Governo português salientou que “é preciso não ter a menor noção do que é viver neste mercado interno” para ter um pensamento como o de Wopke Hoekstra.

“É preciso não ter a menor noção do que é viver neste mercado interno para alguém pensar que pode ultrapassar o problema da pandemia na Holanda se isto continuar assim noutros países como Itália. A prioridade das prioridades é salvar vidas, combater este vírus. Só assim é que as finanças públicas são sustentáveis, o resto é ficção”, acrescentou.

No final da reunião do Conselho Europeu por videoconferência, António Costa mostrou-se irritado com as palavras do ministro das Finanças dos Países Baixos. O governante holandês​ afirmou que a Comissão Europeia devia investigar países, tal como Espanha, que dizem não ter margem orçamental para lidar com a crise provocada pela pandemia de Covid-19, apesar de a zona euro estar a crescer há sete anos consecutivos.

“Esse é um discurso repugnante no quadro da União Europeia. A expressão é mesmo esta: repugnante. Ninguém está disponível para voltar a ouvir ministros das Finanças holandeses como aqueles que já ouvimos em 2008, 2009, 2010 e em anos consecutivos”, afirmou António Costa.

“É boa altura de compreenderem todos que não foi Espanha que criou o vírus, o vírus atingiu-nos a todos por igual. Se algum país da UE acha que resolve o problema deixando o vírus à solta nos outros países, não percebeu bem o que é a UE”, disse o chefe do Executivo, na quinta-feira.

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