José Coelho / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa e o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.
Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas, já foi um peso-pesado do Governo de António Costa, mas o primeiro-ministro desautorizou-o na discussão sobre o futuro da TAP, num claro sinal de que a “lua-de-mel” entre os dois homens fortes do PS acabou.
“Não meteram (ainda) os papéis do divórcio. Mas a relação próxima entre António Costa e Pedro Nuno Santos acabou.” É assim que o Público noticia o afastamento entre o ministro e o primeiro-ministro, notando que a discussão do futuro da TAP foi a “gota-de-água” numa relação que já se vinha saturando.
Após intervenções públicas de Pedro Nuno Santos sobre o que fazer com a TAP, Costa veio desautorizá-lo, nomeadamente nas questões da insolvência e da nacionalização da companhia de aviação.
Por outro lado, o Público avança que a “solução para a TAP não deve implicar que o Estado tenha mais poderes na administração, ao contrário do que defendia o ministro das Infraestruturas”.
Costa “não gosta do estilo “radical” do seu ministro a tratar de dossiers como o da TAP”, acrescenta o jornal.
Por seu lado, Nuno Santos “não gostou de ver António Costa a apoiar a reeleição de Marcelo” e “discorda frontalmente das propostas do independente Costa e Silva, convidado pelo primeiro-ministro para preparar o plano de recuperação económica”, acrescenta o mesmo diário.
“Outrora cúmplices políticos”, Costa e Nuno Santos “estão em claro processo de afastamento pessoal e político“, conclui o jornal, frisando que “o ministro chegou a admitir em privado aproveitar uma futura remodelação para pedir para sair”.
Nuno Santos foi um peso-pesado do anterior Governo de Costa, enquanto secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, fazendo parte das negociações estratégicas que levaram à “geringonça”.
Em Fevereiro de 2019, foi apelidado como o “super-ministro” de Costa depois de ter sido promovido do cargo de secretário de Estado para o de ministro das Infraestruturas, ficando com a tutela da Habitação.
Mas a forma como Costa tem, gradualmente, virado a bitola do PS para o centro não agradará a Nuno Santos que faz parte da ala mais à esquerda do PS.
Por outro lado, Costa estará preocupado com “o ascendente e as movimentações de Pedro Nuno Santos no aparelho do PS”.
Nuno Santos é visto por alguns socialistas como o sucessor natural de Costa na liderança do PS e começa a perfilar-se como um possível concorrente numas próximas eleições internas. Mas o mais provável é que o actual ministro só concorra ao cargo de líder dos socialistas depois de Costa “arrumar as chuteiras”, o que ainda tardará.
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Um ministro das infra-estruturas Que no seu distrito e no seu concelho é conhecido como um radical de esquerda, praticamente comunista.