Mário Cruz / Lusa
O secretário-geral do PS, António Costa
O primeiro-ministro, António Costa, recusou fazer um “julgamento popular” ao seu antecessor, mas garantiu nunca ter tido “qualquer suspeita” relativamente a José Sócrates, nem quando foi seu ministro, nem depois.
“Nos dois anos em que fui ministro de José Sócrates, nunca tive um sinal que levantasse a menor suspeita sobre o seu comportamento nem depois disso tive qualquer suspeita até ao momento em que começaram a haver notícias sobre essas matérias”, afirmou António Costa em entrevista esta quinta-feira ao Jornal da Noite na TVI.
“O Partido Socialista sofreu, de facto, uma situação muito traumática, e que eu espero que nunca nenhum partido venha a sofrer, de ver acusações gravíssimas penderem sobre um líder seu, que era, aliás, muito apreciado no partido, com quem muitos de nós tinham relações de amizade, eu tinha relações de amizade”, destacou.
“No Partido Socialista, as pessoas não conheciam factos que têm vindo a público”, garantiu António Costa, que depois da entrevista participou no programa Circulatura do Quadrado.
O líder socialista deixou claro que não tolera “de forma alguma qualquer forma de corrupção”. “Acho que é degradante para a democracia e tem de ser exterminada (…) Se tiver alguma suspeita de corrupção dentro do PS denuncio às autoridades. Não consigo conviver com quem tenha praticado atos de corrupção”, frisou.
Ainda sobre José Sócrates, que é o arguido principal na Operação Marquês, António Costa considerou que o PS revelou “uma grande maturidade” em relação ao antigo primeiro-ministro. “O Partido Socialista teve uma grande maturidade para fazer aquilo que devia fazer. Nunca fizemos aquilo que aconteceu, por exemplo, em outros tempos, com outras maiorias, em que, quando havia suspeitas de corrupção, ou outras, aquilo que houve foi uma asfixia completa do Ministério Público até à prescrição de N casos”.
PS não apresentará medidas “avulsas”
Na mesma entrevista, António Costa falou sobre as eleições legislativas de outubro, frisando que o partido só apresentará o programa a 20 de junho. “Até lá não vamos fazendo promessas avulsas”, atirou.
“Aquilo que podemos dizer é o seguinte: tal como fizemos há quatro anos, só prometeremos aquilo que temos a certeza que poderemos fazer”, comprometeu-se o primeiro-ministro, depois de dizer que só fará uma análise global das propostas da oposição quando terminar o “leilão de propostas“.
Quanto à matéria fiscal, onde a oposição tem prometido fortes reduções, António Costa recordou que é necessário explicar como é que se vai compensar a diminuição da receita.
“Não podemos falar da redução de impostos sem também saber com o que é que nos comprometemos em matéria de despesa, porque não se pode prometer simultaneamente «sol na eira e chuva no nabal», isso não existe. E os portugueses também sabem isso. Quando se promete que se reduz uma receita, alguém tem de explicar qual é a receita que a compensa ou qual é o corte da despesa que a compensa, portanto não vou estar a apresentar medidas avulsas”, assinalou o primeiro-ministro.
“Temos o programa, que será apresentado no seu conjunto, e, tal como já fizemos na campanha eleitoral anterior, com base num cenário macroeconómico que assegure a sustentabilidade de todas as medidas com que nos comprometamos com os portugueses. A tendência que temos tido ao longo desta legislatura é o desagravamento da tributação em sede de IRS”, sublinhou o secretário-geral socialista.
“O que lhe posso dizer neste momento é que o desejo que temos é que o possamos continuar a fazer”, frisou ainda.
Exclusividade dos médicos
António Costa falou ainda sobre a Lei de Bases da Saúde, que está pedente no Parlamento e sobre a qual não foi ainda possível chegar a um entendimento com a esquerda. O primeiro-ministro destacou a questão da exclusividade dos médicos, tal como tinha já apontado a ministra da Saúde, Marta Temido, em entrevista ao Público e à Renascença.
“A proposta de Lei de Bases da Saúde que está, neste momento, em vias – que espero finais – de aprovação na Assembleia da República, aponta como mecanismo geral a ideia da criação de mecanismos de exclusividade”, acrescentando que está a ser procurada uma medida para que sejam asseguradas “melhores condições remuneratórias, que permitam uma melhor dedicação ao SNS”.
Ainda sobre as eleições, António Costa foi claro ao afirmar que o “o PS quer ter o melhor resultado possível (…) Primeiro é saber se há condições para formar Governo ou se não há. Essa ideia de que os políticos é que decidem as condições que têm para governar é uma ideia que não adere à realidade. Em democracia, quem define as condições de governação é quem vota, os cidadãos, e os políticos têm de trabalhar com as ferramentas que os eleitores lhes dão, e é assim que irei fazer”, apontou.
Quanto à geringonça, destacou os bons resultados obtidos durante a legislatura, frisando, contudo, que a maioria absoluta é sempre um cenário mais favorável.
“Quando uma solução funciona, o que é que faz sentido mudar? Os resultados são bons, portanto vale a pena continuar no caminho certo (…) Quanto mais força tiver o PS, melhores são as condições de governação”, rematou António Costa.
Eu não sou nem mais nem menos esperto q os outros e não estava no governo, sou cidadão português e via (sem provas) que os governos da era Socrates as coisas não eram o que tentavam transparecer. Só não via quem não queria ver ou então fazia parta da panela.