Mário Cruz / Lusa
O único Centeno é do PS e o seu passe não está à venda. Foi esta a mensagem que o secretário geral socialista, António Costa, fez questão de frisar esta terça-feira, recordando que os que no passado olharam para o seu ministro das Finanças com desconfiança querem agora ter o seu próprio Centeno.
O líder do PS recuou até 2015 para contar toda a história. Depois de agradecer a intervenção do responsável pela pasta das Finanças, António Costa recordou o envolvimento de Mário Centeno na elaboração do cenário macroeconómico que o PS apresentou em 2015, antes das eleições legislativas desses anos, e referiu que, então, “olharam para ele com enorme desconfiança”.
“Mas que bom ver quatro anos depois todos quererem ter o seu Centeno. Já há quatro anos devíamos ter desconfiado, porque quem desdenha quer comprar”, atirou, no primeiro comício de campanha eleitoral do PS, no Pavilhão Carlos Lopes.
Costa alfinetava assim Rui Rio que, na passada segunda-feira no debate a dois, muniu-se de números, dizendo também ter o seu “Centeno”. Durante o debate, o social democrata não referiu o nome do seu homem forte das Finanças, tendo revelado apenas depois, em declarações aos jornalistas no fim do debate, que se referia a Joaquim Sarmento.
O secretário-geral do PS não tardou a responder, argumentando que não trocava o seu Centeno pelo de Rio. “Os portugueses preferem o meu“, disse.
Mas a “guerra” de Centenos não se ficou por aqui: esta terça-feira, através de uma publicação no seu site oficial, o PSD revelou que Joaquim Sarmento está disponível para um debate com Mário Centeno, visando “esclarecer todos os números”.
Pouco depois, e recorrendo ao humor, António Costa partiu da comparação que o antigo ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble fez entre o atual presidente do Eurogrupo e o jogador de futebol da Juventus Cristiano Ronaldo.
“O senhor Schauble até pode achar que ele [Mário Centeno] é [Cristiano] Ronaldo. Só que o passe não está à venda“, declarou, recebendo uma salva de palmas dos militantes e simpatizantes socialistas.
O Portugal campeão de Centeno e a “fábula” do PSD
Na sua intervenção no pavilhão Carlos Lopes, que recebeu uma enorme ovação da plateia, Mário Centeno considerou que Portugal foi “campeão” do crescimento na Europa, advertiu que o rumo seguido não pode ser colocado em causa e criticou o PSD por “efabular” com um perigoso choque fiscal.
“Bem-vindos ao pavilhão que tem o nome de um enorme campeão português, Carlos Lopes, e bem-vindos ao Portugal que é campeão do crescimento, do emprego de qualidade e do bem-estar. Bem-vindos ao Portugal que não convida jovens a emigrar, ao Portugal que PSD e CDS desconhecem e, mais grave, negam”, declarou o titular da pasta das Finanças, que é candidato a deputado do PS por Lisboa.
Mário Centeno referiu-se depois aos mais recentes indicadores do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a evolução da economia portuguesa nesta legislatura, sustentando que ficou provado que o país cresceu bem acima da média europeia.
“Portugal ultrapassou cinco países na lista que a direita utiliza para desvalorizar as conquistas dos portugueses. Portugal cresceu mais do que a Espanha em 2017, 2018 e está a crescer mais também em 2019. Somos uma economia mais forte, com contas públicas certas e equilibradas”, defendeu.
A seguir, passou ao ataque “à direita portuguesa que andava a clamar pela falta de crescimento”. “O crescimento voltou a Portugal com este Governo, voltou a Portugal com António Costa. Sabem qual a razão de a direita ter a fábula de haver uma folga de 15 mil milhões de euros em 2023? Porque o PS colocou Portugal no mapa do crescimento. Mas não há espaço orçamental sem crescimento económico e isso eles ainda não conseguiram compreender”, afirmou o membro do Governo.
Na sua intervenção, com cerca de 12 minutos, Mário Centeno nunca se referiu diretamente ao Bloco de Esquerda ou ao PCP, mas advertiu que, após as eleições legislativas, “o caminho percorrido não pode ser posto em causa”.
A maioria das críticas do ministro das Finanças foi dirigida ao PSD, quer por causa das dúvidas levantadas sobre a evolução do saldo da balança externa do país, quer por causa da promessa de redução de impostos.
“A direita dá-se ao luxo de prometer gastar o esforço dos portugueses numa nova temporada da série já conhecida chamada choque fiscal. Fá-lo em nome de uma ideologia cega e de má memória para os portugueses. O país não precisa de quem promete, mas sabe que não pode dar. Deixam-se fotografar com o diabo – e é como os portugueses dizem, diz-me com quem andas”, comentou, provocando risos na plateia.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
Com papas e bolos se enganam os tolos.
Só porque o dizem, o kostinha e este que o PSD decerto não quer, passa a ser verdade???