Tiago Petinga / Lusa

Pedro Nuno Santos, Antonio Costa, Augusto Santos Silva: o núcleo duro do Governo no Parlamento

“Se me quer ouvir pedir desculpas, eu peço desculpas”. Eis como António Costa fez um mea culpa contrariado pelos trágicos incêndios que mataram mais de 100 pessoas, nos últimos meses, num debate parlamentar onde confessou o “grande peso na consciência”, assumindo que o Estado falhou.

“A palavra desculpa uso na minha vida privada. Enquanto primeiro-ministro uso a palavra responsabilidade”, disse António Costa no mais duro debate quinzenal que já enfrentou na Assembleia da República, no rescaldo dos incêndios devastadores que mataram mais de 100 pessoas, entre Junho e Outubro.

Mas, depois de ter sido forçado a demitir a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, que tanto quis segurar no cargo, e de um “puxão de orelhas” de Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro lá pediu desculpas aos portugueses.

“Se me quer ouvir pedir desculpas, eu peço desculpas”, disse após repto lançado pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

“Sei que viverei com este peso na consciência até ao fim da minha vida“, disse depois. E não se pode alhear a frase das palavras do Presidente da República que, na véspera, pediu “humildade” ao Governo e assumiu também o “peso enorme na consciência” pelo sucedido.

Costa disse perante os deputados que “é inequívoco que houve falha do Estado” e prometeu “criar condições estruturais para que não volte a acontecer” uma tragédia semelhante. Isto depois de ter dito que será muito provável que, nos próximos anos, se repitam incêndios de grande dimensão.

Pacote de medidas para matas nacionais

Após ter notado também que não há uma “solução mágica” para o problema da floresta portuguesa, Costa avançou agora que é preciso “remodelar todo o sistema” e, sobretudo, “reforçar o pilar da prevenção”.

No Parlamento, Costa deixou ainda a promessa de reforçar as verbas previstas no Orçamento de Estado de 2018 (OE2018) para fazer “aquilo que for possível e desejável” pela reforma da floresta e do sistema de combate aos incêndios.

Neste sentido, o secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, já explicou à Lusa que vai ser solicitado ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que apresente, no prazo máximo de quatro meses, um conjunto de medidas a implementar nas matas públicas nacionais atingidas pelos incêndios.

“É fundamental que o ICNF nos apresente um plano de financiamento, sendo que o princípio daquilo que pretendemos é que as verbas que saiam da venda da madeira dessas matas sejam investidas em cada uma dessas matas”, referiu o governante.

Costa “não merece segunda oportunidade”

Entretanto, no âmbito do debate parlamentar com Costa, o presidente do PSD defendeu que o Governo “não merece uma segunda oportunidade”, responsabilizando directamente o primeiro-ministro pelo “falhanço do Estado” nos incêndios dos últimos meses.

O primeiro-ministro não tem condições para inspirar confiança ao país de que seja capaz de fazer o contrário do que fez até hoje”, acrescentou Passos Coelho, anunciando ainda o voto favorável do PSD à moção de censura que o CDS-PP vai apresentar.

Também a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defende que Costa “não tem condições” para se manter no cargo de primeiro-ministro. “O senhor primeiro-ministro mostrou que não está à altura para o exercício das funções que desempenha”.

[sc name=”assina” by=”SV, ZAP” source=”Lusa”]