António Cotrim / Lusa

O primeiro-ministro não admitiu a disponibilidade manifestada por José Artur Neves para sair da Secretaria de Estado da Protecção Civil, no âmbito da polémica das golas anti-fumo inflamáveis. Uma postura relacionada com a proximidade das eleições e com o receio de abrir uma caixa de pandora de demissões no Governo.

O Secretário de Estado da Protecção Civil “mostrou disponibilidade para sair” do cargo, segundo avança o Jornal de Notícias (JN), depois de ter despoletado a polémica em torno dos contratos públicos assinados pela empresa do filho com o Estado, em violação da lei das incompatibilidades.

Mas António Costa não deixou cair José Artur Neves porque “numa situação idêntica em relação a incompatibilidades poderão estar outros membros do Governo”, aponta uma fonte próxima do processo citada pelo JN.

O Secretário de Estado da Protecção Civil “não é para cair, até porque entrou no Governo sob indicação de Pedro Nuno Santos [ministro das Infraestruturas], e num momento destes não se podia fragilizar uma área tão importante”, considera ao JN um dirigente socialista não identificado.

Numa altura em que estamos a dois meses das eleições legislativas e quando surgem outras notícias sobre familiares de elementos do Governo com contratos com o Estado, o primeiro-ministro terá visto na eventual demissão de José Artur Neves a ponta do icebergue para uma eventual “razia” de saídas no Governo.

Além do filho de José Artur Neves, também o pai de Pedro Nuno Santos tem contratos com entidades públicas. O mesmo se aplica ao pai da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e ao marido da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem.

Depois do “familygate”, as relações familiares no Governo voltam a ensombrar o Executivo de Costa. A forma como o primeiro-ministro vai gerir esta nova polémica pode ser determinante para os resultados das eleições legislativas de Outubro.

“Isto tudo podia ter sido resolvido logo na sexta-feira”, lamenta um deputado do PS ouvido pelo JN. Esta fonte não dá como certo que Costa mantenha José Artur Neves no cargo, frisando que “o problema é estarmos a um mês da campanha eleitoral“.

Para já, o PS vai confortavelmente à frente nas sondagens, mas ainda longe da desejada maioria absoluta. Já o PSD está no pior nível de sempre numa altura em que o partido vive turbulência interna com a definição das listas de candidatos para as legislativas de 6 de Outubro.

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