Tiago Petinga / Lusa

António Costa recebeu o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.

António Costa e o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, fizeram publicamente as pazes após o vídeo em que o primeiro-ministro chama “cobardes” a estes profissionais de Saúde. Isto depois de o governante ter mostrado o “enorme apreço” que tem pelos médicos portugueses.

Após a reunião de urgência solicitada pela Ordem dos Médicos (OM) com o primeiro-ministro, enterrou-se o machado de guerra no seguimento de uma “conversa muito franca e bastante útil para troca de informações”, como apontou António Costa em conferência de imprensa.

Costa começou por deixar uma “palavra de apreço a todos os médicos portugueses” numa espécie de mea culpa depois de ter sido apanhado a chamar “cobardes” aos profissionais que terão recusado prestar assistência aos utentes de um lar de idosos em Reguengos.

O primeiro-ministro vincou a “enorme consideração e apreço” que tem pelos médicos e “pelo seu trabalho, assim como pela generalidade dos profissionais de saúde”.

Falando em “confiança, respeito e agradecimento por todo o trabalho que têm feito”, Costa reforçou a “solidariedade forte para os médicos que estiveram a trabalhar no lar de Reguengos, mesmo não tendo as condições mais adequadas”.

Costa sublinhou mesmo que fizeram um “trabalho magnífico”.

Caso dos lares merece “reflexão profunda”

Sobre o caso concreto do lar de Reguengos, Costa fintou o tema, generalizando a questão. “A situação que diz respeito aos lares não é nova e é conhecida dos portugueses”, apontou, sublinhando que é preciso fazer uma “reflexão profunda da sociedade”.

Num “país com a dinâmica demográfica que temos”, é um “debate urgente que temos que fazer”, vincou ainda Costa.

O bastonário da OM alinhou pelo mesmo tom, salientando que a situação do lar de Reguengos “está entregue às autoridades competentes”.

Costa salientou ainda que “uma das prioridades da reforma do Serviço de Saúde passa pelo desenvolvimento da rede de cuidados continuados e dos programas de assistência domiciliária”.

O primeiro-ministro aproveitou para “recordar ao senhor bastonário o esforço que o Estado tem feito para reforçar as condições financeiras e humanas para que as IPPS e as Misericórdias e mutualidades façam ainda um melhor trabalho”.

Dirigindo-se especificamente ao bastonário, Costa apontou que espera que “todos os mal-entendidos estejam esclarecidos”. “Acho que testemunhou de forma inequívoca o meu apreço e consideração pelos médicos portugueses“, terminou, acabando a conferência de imprensa sem direito a perguntas dos jornalistas.

Antes, o primeiro-ministro tinha notado que temos que “desejar o melhor, mas “preparar o pior” com vista à potencial segunda vaga de covid-10 no Outono/Inverno.

Também o Bastonário realçou o “desafio que temos pela frente”, não apenas pela “questão de combate à covid”, mas também devido aos “doentes não covid que ficaram para trás” durante o período de confinamento.

Miguel Guimarães falou ainda do problema da “gripe sazonal” e da importância da “protecção às pessoas mais desprotegidas” que estão nos lares, vincando que é “absolutamente essencial que nos preocupemos” com esta questão.

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