PSD / Flickr

Luis Marques Mendes

A “derrota pesada” de Mário Centeno na votação do Fundo Monetário Internacional (FMI), o “truque” de António Costa na polémica dos contratos de familiares com o Estado e a turbulência interna no PSD marcam a opinião do comentador Luís Marques Mendes desta semana.

No seu habitual espaço de opinião no Jornal da Noite de domingo, na SIC, Marques Mendes entende que Mário Centeno sofreu “uma derrota pesada” na escolha do director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Centeno afirmou na quinta-feira que não estava no lote de nomes que foram a votação para o cargo de director-geral do FMI. A búlgara Kristalina Georgieva, actual número dois do Banco Mundial, foi nomeada candidata da Europa à liderança do órgão.

Marques Mendes considera que Centeno “deixou demasiado claro que queria muito sair de Portugal e ir para o FMI”. Por isso, conclui que o ministro das Finanças sofreu “uma derrota pesada”. “Vai ter de ficar e ficar contrariado”, sustenta o comentador, realçando que “Centeno, a partir de agora, faz lembrar aqueles jogadores de futebol que querem sair de Portugal para o estrangeiro, não conseguem a transferência e ficam a jogar contrariados”.

“Rio ganhou no Conselho Nacional, mas perdeu no país”

No seu habitual espaço de comentário, Marques Mendes também falou da situação interna no PSD, considerando que a aprovação das listas em Conselho Nacional deixou a ideia de um partido “ainda mais dividido” e de “um líder ainda mais contestado” até pelos seus próprios apoiantes.

Como exemplo dessa contestação a Rio, Marques Mendes dá o exemplo da demissão de Rui Rocha, o presidente da distrital de Leiria que apoiava o presidente do PSD.

“Rio ganhou no Conselho Nacional”, com “uma votação significativa” que não surpreende, porque “nunca um líder do PSD perdeu uma votação em Conselho Nacional, muito menos quando se trata de mercearia política“, entende o ex-líder dos sociais-democratas.

Mas Rio “perdeu no país e ajudou a reforçar o adversário Luís Montenegro“, sustenta Marques Mendes.

“Se as coisas correrem mal a Rui Rio”, Luís Montenegro ganha força no partido, diz, salientando que “uma grande parte daqueles que estão descontentes com este processo — ou porque não entraram nas listas ou porque saíram das mesmas — vai engrossar o apoio” ao ex-deputado do PSD “numa eventual disputa interna daqui a alguns meses”.

O “truque” de Costa para “comprar tempo”

Comentando a polémica das golas inflamáveis, Marques Mendes defende que o “secretário de Estado da Protecção Civil devia demitir-se

“, “ou então devia ser demitido”.

“Um seu adjunto influenciou a escolha das empresas a contratar e demitiu-se. O secretário de Estado devia ter feito o mesmo, devia ter assumido a responsabilidade política” porque “os adjuntos não agem por conta própria”, salienta Marques Mendes.

Em causa está a demissão do adjunto do Secretário de Estado que recomendou as empresas para o fabrico das golas, num ajuste directo autorizado pelo Governo.

O caso deu origem a várias notícias sobre o facto de empresas de familiares de elementos do Governo, incluindo o filho do secretário de Estado da Protecção Civil, terem contratos com o Estado, o que viola a Lei das incompatibilidades políticas.

Marques Mendes refere que a Lei é um “exagero”, mas diz que se existe é para cumprir.

A forma como António Costa lidou com o caso, pedindo um parecer à Procuradoria Geral da República (PGR), foi “desastrosa”. Trata-se de “uma habilidade, um truque” cujo objectivo “não é esclarecer”, mas “comprar tempo”. “É adiar o assunto até às eleições para que ninguém se demita nem tenha de ser demitido”, sustenta, considerando que a artimanha pode “rebentar” na cara de Costa se a PGR der o seu parecer antes das eleições. Aí Costa poderá ter um “um problema sério, em Setembro, em plena campanha eleitoral”.

Governo vai agir com “músculo” à greve dos motoristas

Outro tema da actualidades comentado por Marques Mendes é a greve dos camionistas, cujo Sindicato se reúne nesta segunda-feira com o Governo que tenta evitar a greve de 12 de Agosto.

Se a inteligência funcionar o Sindicato dá um passo atrás para poder dar dois no futuro e desconvocar a greve”, frisa o comentador, apontando que isso abrirá caminho para “incentivar as negociações”, deixando aberta a possibilidade de uma nova “greve no futuro, caso seja necessário”.

A insistência na greve pode, por outro lado, resultar numa “derrota pesada” para os camionistas “porque as condições são bem piores do que eram na Páscoa, quando ocorreu a greve anterior”. Nessa altura, “tinham a seu favor a opinião pública”, o que “agora não acontece”, analisa Marques Mendes.

“Esta greve é muito impopular, irrita as pessoas e nenhum português compreende que se esteja a fazer uma greve em Agosto de 2019 para aumentos salariais de 2021 ou 2022″, salienta o comentador indo ao encontro de uma ideia já defendida por António Costa.

Por outro lado, o Governo está preparado para, desta vez, dar “uma reposta mais musculada”, com “uma forte mobilização das Forças Armadas e forças de segurança para evitar incidentes e bloqueios”, conclui Marques Mendes.

O Governo quer fazer deste caso “uma demonstração de músculo e força” num “exercício de autoridade”, à semelhança do que fez com os professores, aponta o comentador.

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