Luís Forra / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (E), e o primeiro-ministro, António Costa

Marcelo Rebelo de Sousa ainda não confirmou oficialmente, mas está tudo à espera da sua recandidatura à Presidência da República, sendo visto como um vencedor antecipado. Nesse cenário previsível, o PS vê-se quase forçado a apoiar, pela primeira vez na sua história, um candidato da direita.

Várias figuras do PS já assumiram publicamente elogios a Marcelo Rebelo de Sousa, cuja popularidade continua em alta, apesar de ter caído algumas décimas nos últimos tempos. Ninguém duvida que o actual Presidente da República será eleito para um segundo mandato, caso se recandidate. E essa recandidatura é vista como muito provável.

Ora, a recandidatura de Marcelo coloca o PS numa espécie de beco sem saída, já que não se afigura nenhuma personalidade socialista que possa fazer sombra ao homem que distribui afectos na Presidência da República. E depois dos rasgados elogios que muitos socialistas já fizeram a Marcelo, é bem possível que o PS acabe a apoiá-lo nas próximas presidenciais.

Esta possibilidade é avançada pelo jornal Público que lembra que figuras socialistas como Eduardo Ferro Rodrigues, António Guterres, Manuel Alegre, João Soares e Jorge Coelho já admitiram apoio a uma eventual recandidatura de Marcelo.

Perante estas posições e uma percepção geral positiva relativamente a Marcelo, dentro do PS, António Costa está a ser “pressionado a apoiar Marcelo”, como constata o Sol.

Na última entrevista que o primeiro-ministro deu à SIC, ele garantiu que “o PS decidirá isso a seu tempo”, ou seja, quando Marcelo confirmar de vez a sua recandidatura.

No seio do PS, há alguma “animosidade” entre alguns dirigentes com o possível apoio a Marcelo, como apurou o Público, realçando que há quem lembre que “nunca o PS deu apoio a um candidato vindo da direita“. Todavia, parece haver uma maioria que acredita que o melhor para o partido é mesmo apoiar Marcelo, apesar do seu passado ligado ao PSD.

“O PS nunca apoiou um candidato de direita, mas Marcelo não é um candidato dos partidos de direita, ele sempre se apresentou por si, é suprapartidário e tudo indica que pode repetir esse perfil de candidatura”, reconhece ao Público um dirigente do PS não identificado.

“Aliás, a direita está descontente com ele”, acrescenta outro dirigente socialista. Outro ainda aponta que Marcelo “não se colou ao PSD” e que “não tem anticorpos no PS”, concluindo assim que não é impossível que haja “um Bloco Central a apoiá-lo”.

Determinante para este processo vão ser as eleições legislativas que se avizinham. Os resultados que o PS vier a obter, bem como a relação que o próximo executivo, provavelmente liderado por Costa (a acreditar nas sondagens), vier a estabelecer com Marcelo.

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