Rodrigo Antunes / Lusa

Numa entrevista concedida à Antena 1 esta manhã, António Costa revelou que o estado de emergência pode prolongar-se até ao fim da pandemia e já deixou alguns avisos em relação ao Natal. O primeiro-ministro garantiu que a confiança que tem na ministra da Saúde saiu “reforçada” com a pandemia.

Depois de ontem ter sido anunciado o estado de emergência, que terá inicio no dia 9 e com término no dia 23, António Costa faz os portugueses respirar de alívio pois garante que “o fundamental deste estado de emergência não vai introduzir grandes alterações”, adiantando que, “no limite”, o estado de exceção pode durar “até ao fim da pandemia”.

A confirmar-se, o cenário não significa medidas permanentes, apenas “cobertura jurídica” para implementá-las.

Os secretários de Estado que fazem a coordenação regional vão reunir com os autarcas dos 121 concelhos onde entrou em vigor um confinamento parcial, para avaliar como aplicar o estado de exceção. Não detalhando se vai ser implementado o recolher obrigatório, Costa não negou que este esteja em cima da mesa.

Questionado sobre o Natal, o primeiro-ministro não responde sobre como funcionará, mas voltou a dizer que as famílias grandes têm de se reorganizar. Realça que no seu caso particular já organizou o Natal com família dividida: “não conseguimos estar todos na mesma casa, por isso vamos dividir-nos”.

Ainda assim, o governante mostra-se confiante e garante que o Governo fará “tudo o que é necessário para controlar a pandemia, mas nada mais do que o necessário”, salientando a necessidade de criar agora condições para controlar a pandemia, de forma a que, no Natal, possa haver segurança. “O nosso Natal depende muito do que façamos hoje”

, recordou.

Relativamente à logística do SNS, Costa nega que este esteja apenas “concentrado nos doentes covid”, argumentando que “os hospitais existem para tratar os doentes, seja qual for a patologia” e que “tratar a covid não é deixar de tratar outros doentes mas dar-lhes prioridade”.

Sobre os contratos do Estado com hospitais privados, assegurou que estes têm sido feitos. “Da parte do Estado, não há qualquer objeção a fazer essa contratualização, nunca houve uma questão de dinheiro aqui, já que o SNS tinha tido o maio reforço orçamental há um ano”, disse.

Em relação à “enorme pressão” à qual o sistema de saúde está exposto, António Costa diz que este está preparado, mas não se “se tivermos 10 milhões de infetados”.

Em plena pandemia, o que saiu “reforçada” foi a confiança em Marta Temido. Costa lembra que “nenhum ministro da Saúde foi submetido a uma prova tão grande”.

Depois de ser questionado sobre se Portugal se atrasou na resposta à segunda vaga da pandemia e se há responsabilidade política, o governante disse que “toda a Europa” se atrasou, já que esta segunda onda de casos chegou mais cedo do que o previsto.

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