Miguel A. Lopes / Lusa

O presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves (D), com a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o primeiro-ministro António Costa

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, reafirmou que não tem intenção de se demitir, afirmando que isso seria o mais fácil, pois teria “as férias” que não pôde gozar por causa dos incêndios. E António Costa refere que deixar cair a ministra seria “um bocado infantil”.

“Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões“, afirmou a ministra aos jornalistas, depois de questionada várias vezes sobre se tem condições para permanecer no cargo.

A ministra falou a seguir a uma reunião com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, Lisboa, depois de ter sido anunciado que, pelo menos, 31 pessoas morreram nos mais de 500 incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia do ano em fogos.

Constança Urbano de Sousa defende que é tempo de encetar mudanças estruturais, apontando o “ordenamento da floresta” e falando da “profissionalização dos bombeiros” e de “habilitar as comunidades mais directamente ameaçadas pelos fogos florestais para a defesa preventiva dos fogos”.

Costa diz que seria “infantil” demitir a ministra

António Costa também já rejeitou a demissão da ministra, anunciando que mantém a confiança política em Constança Urbano de Sousa e considerando “um bocado infantil” a ideia de que consequências políticas são demissões.

Esta ideia do primeiro-ministro refere-se às palavras de Marcelo Rebelo de Sousa que adiantou que é preciso tirar consequências políticas do que aconteceu, não apenas neste domingo, um pouco por todo o país, mas também em Pedrógão Grande, durante o Verão que passou.

Costa salienta que o Presidente da República não defende mudanças no Governo. “A principal consequência política num Governo é fazer aquilo que falta fazer“, afiança o primeiro-ministro, concluindo que “os portugueses querem uma atitude madura” do Executivo.

Fogos trágicos vão repetir-se nos próximos anos

O Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, um fogo que alastrou a outros municípios e que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.

O primeiro-ministro sustentou que não há bombeiros que cheguem num dia com 523 incêndios e advertiu que não há soluções mágicas para os fogos florestais, admitindo mesmo que os “problemas” vão repetir-se.

Se os senhores julgam que há alguma solução mágica para que se produzam efeitos na reforma da floresta, estão completamente enganados“, disse aos jornalistas, considerando que “não vale a pena iludir os portugueses convencendo-os de que de um dia para o outro se vai resolver um problema que se acumulou ao longo de décadas”.

“Infelizmente, vamos ter de trabalhar todos muito para, ao longo da próxima década, fazer aquilo que é preciso fazer na floresta portuguesa“, advogou ainda.

“O país tem de ter bem consciência de que a situação que estamos a viver, com uma alteração do quadro climatérico muito negativo, vai seguramente prolongar-se para os próximos anos. É por isso que no final desta batalha nós temos de tomar as decisões, porque as coisas não podem continuar como estavam”, disse também.

Marcelo diz que é preciso analisar o que aconteceu

“Que se analise, para além dos factores estruturais, o que pode ter explicado esta realidade para a qual muitos de nós não temos ainda uma resposta imediata”, apontou, por seu turno, o Presidente da República, em declarações à SIC Notícias.

“Espero que se analise aquilo que foi todo este ano“, apontou Marcelo Rebelo de Sousa, realçando que domingo foi “um dia trágico pela multiplicação de fogos, por todo o centro e norte, mas mesmo fora do centro e norte, inclusive no litoral”, que “obrigou a um esforço enorme das populações”.

Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de “saudar e agradecer” o trabalho de todos os que estão envolvidos no combate aos fogos, garantindo que esteve “durante o dia em contacto com autarcas”.

O Presidente da República aproveitou para “manifestar palavra muito especial aos familiares das vítimas mortais”, acrescentando que “havendo que ter uma presença física nos próximos dias” dará “prioridade a essas situações”.

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