A “geringonça” é pragmática e, apesar das diferenças ideológicas evidentes, o governo de esquerda continua de pedra e cal, garante António Costa. O Primeiro-Ministro trata, contudo, de distanciar-se do discurso da bloquista Mariana Mortágua.
“Esta nem é a linguagem do PS“: é assim que o primeiro-ministro fala da recente polémica que envolveu Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, a propósito do novo imposto sobre imóveis, em entrevista ao Público.
Mortágua disse que “é preciso perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro”, uma declaração que deixou o PS sob alta tensão e que leva agora António Costa a distanciar-se dela.
Contudo, se o estilo não é o mesmo, o primeiro-ministro assume que há uma “preocupação comum” que passa pela certeza de que “é necessário uma maior justiça fiscal“.
Assumindo as diferenças ideológicas entre PS, PCP e Bloco de Esquerda, Costa sustenta que “a chave desta solução governativa não está em qualquer dos quatro partidos ter eliminado a identidade ideológica que o caracteriza e diferencia dos restantes”.
“Aquilo que permite e dá força a esta solução governativa é o pragmatismo”, destaca o primeiro-ministro, na segunda parte da entrevista divulgada pelo Público, depois de na segunda-feira ter confirmado que haverá um aumento de impostos no Orçamento de Estado para 2017.
As palavras de Costa que confirmam o teor “pragmático” da chamada “geringonça” surgem exactamente no dia em que se assinala um ano das eleições que levaram a esta solução de governo inédita em Portugal, composta pela aliança dos partidos de Esquerda.
Foi depois das eleições legislativas de 4 de outubro de 2015, que deram a vitória à coligação Portugal à Frente – composta por PSD e CDS -, que PS, PCP e Bloco de Esquerda se organizaram, com a força da maioria parlamentar, para darem forma ao governo do PS.
Costa recusa “batalha ideológica” com Marcelo
Na entrevista ao Público, Costa também fala do veto de Marcelo Rebelo de Sousa ao fim do sigilo bancário para contas acima dos 50 mil euros, considerando que “não há uma batalha ideológica” com o Presidente da República.
Sem revelar como vai o Governo responder ao veto, o primeiro-ministro argumenta que o diploma visou transpor para a legislação nacional uma directiva da União Europeia e um acordo bilateral com os EUA que, nos dois casos, não podem ser vistos “como bastiões, pontas-de-lança do radicalismo”.
Costa ainda confirma a criação do novo imposto sobre imóveis, mas sem revelar os moldes que comportará, garantindo apenas que vai trazer “uma maior justiça fiscal” sem “comprometer o investimento” ou “a dinamização do mercado de arrendamento”.
Sobre o caso dos três Secretários de Estado que foram ver jogos do Euro 2016 a convite e a expensas da Galp, o governante salienta que “não há nenhuma razão para qualquer remodelação”, concluindo que os elementos envolvidos já pagaram “o valor da viagem” e que portanto, “se houve erro, foi devidamente reparado”.
ZAP / Lusa
"Foi depois das eleições legislativas de 4 de outubro de 2016, que deram a vitória à coligação Portugal à Frente - composta por PSD e CDS ..." Houve Eleições hoje? Se houvesse nem era preciso que as forças que compõem o Governo se juntassem. O PS dava-lhes uma "tareia"
ZAPEMOS, irmãos.