Paulo Novais / Lusa
António Costa observa a área ardida durante a visita à aldeia de Vale Serrão, Pampilhosa da Serra
O primeiro-ministro considerou hoje indiscutível que houve “uma subestimação dos riscos” de incêndios neste mês e “seguramente carência de meios” no combate aos fogos, mas sustentou que “todos os meios que existissem teriam sido manifestamente insuficientes”.
Questionado durante uma entrevista à TVI sobre a diminuição de meios disponíveis para o combate aos incêndios, desde logo meios aéreos, o primeiro-ministro respondeu: “Houve uma subestimação dos riscos da primeira quinzena de outubro e que, aliás, se mantêm até este momento”.
“E houve seguramente carência de meios. Mas, ouvindo as populações, ouvindo os responsáveis pelos bombeiros, ouvindo os autarcas em cada um destes concelhos, também todos temos noção da excecionalidade do que aconteceu no dia 15 de outubro e, em particular, na noite de 15 para 16 de outubro”, acrescentou.
António Costa falava em entrevista à TVI, a partir do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, conduzida pelo jornalista Pedro Pinto.
O primeiro-ministro afirmou também que o Governo está totalmente empenhado em manter uma boa cooperação institucional com o Presidente da República e considerou que seria “uma enorme perda para o país” se essa relação fosse prejudicada.
António Costa foi questionado repetidamente sobre a comunicação ao país do Presidente da República na sequência dos incêndios deste mês, mas escusou-se a responder se sentiu deslealdade, traição ou choque face a esse discurso.
“Um dos bons contributos que o primeiro-ministro deve dar para um bom relacionamento institucional do Presidente da República é não comentar a atividade do Presidente da República”, declarou, perante uma dessas perguntas.
António Costa alegou, em seguida, que “aos cidadãos o que interessa é que o primeiro-ministro tenha com o Presidente da República uma relação franca, leal, de cooperação institucional, que tem sido muito saudável para o país, e que seria uma enorme perda para o país que fosse prejudicada”.
“O país já tem um excesso de problemas para acrescentar os problemas institucionais ao que já existe. Já chega o que há“, reforçou, mais à frente.
Questionado se o seu relacionamento com Marcelo Rebelo de Sousa é o mesmo do que no início do mandato, o primeiro-ministro considerou que até é “seguramente melhor
, porque ao fim de dois anos de trabalho em conjunto, obviamente, as pessoas vão estreitando as relações”.Em nome do Governo, António Costa acrescentou: “Da nossa parte, estamos totalmente empenhados em manter esse nível de cooperação, e não me passa pela cabeça que, da parte do atual Presidente da República, não exista essa ideia”.
Paulo Novais / Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o primeiro-ministro, António Costa
O primeiro-ministro fugiu à pergunta sobre se se sentiu traído com a comunicação do chefe de Estado ao país, declarando que “não faz análise política” e que as suas conversas com o Presidente “não são para ser tornadas públicas, nem agora, nem em futuro livro de memórias”.
Interrogado se houve deslealdade de uma das partes, António Costa argumentou que o melhor contributo que tem a dar “é não entrar nesse tipo de comentário, nesse tipo de avaliação”.
António Costa não revelou se deu a conhecer a Marcelo Rebelo de Sousa o teor do discurso que ele próprio fez ao país após os incêndios que deflagraram em 15 de outubro no centro e norte do país e provocaram a morte a 45 pessoas.
“Como digo, as conversas entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, para poderem ser francas e terem a abertura que devem ter, são conversas que devem ficar entre nós”, reafirmou, referindo: Não me recordo de agora ter havido uma única fuga”.
O primeiro-ministro recusou, igualmente, esclarecer se teria mantido em funções a anterior ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, se o chefe de Estado não tivesse feito aquele discurso ao país.
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Touché !
Nunca a exclamação teve tanta pertinência.
Negou, fugiu, fingiu, sorriu, asneou ... e não pôde continuar depois do murro na mesa de Marcelo.
É culpado de mais de 100 mortes, mas como não tem vergonha e as pessoas têm memória de galinha, "no pasa nada !"
Fica tudo assim...