Tiago Petinga / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa

O afastamento de Margarida Marques da Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus “caiu como uma bomba dentro do PS” e apanhou de surpresa o partido, não só pela competência da visada, mas sobretudo, por ser amiga de António Costa há 30 anos.

O espanto dos socialistas com a saída de Margarida Marques da Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus, no âmbito da mini-remodelação realizada por António Costa, na sequência das demissões associadas ao chamado “Galp Gate”, é reportado pelo Sol.

O semanário apurou que a decisão “surpreendeu (e chocou) alguns socialistas que conheciam não só as suas competências nos Assuntos Europeus como também a sua amizade de 30 anos com António Costa“.

A saída “caiu como uma bomba dentro do PS”, refere o Sol, notando que entre os socialistas há quem considere que o caso ilustra a “frieza” de António Costa.

Jorge Coelho, ex-ministro socialista, assumiu-se publicamente “muito admirado” com o afastamento, durante a sua participação no programa “Quadratura do Círculo” da SIC Notícias.

“Gota de água” foi candidatura à EMA

As razões para a saída de Margarida Marques não são conhecidas e a própria já disse que não sabe porque foi afastada e que só tem a certeza de que “não pediu” para abandonar o cargo.

O jornal Público avança com vários motivos para o afastamento, falando num mal-estar com elementos do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e da União Europeia. Mas “a gota de água para a ruptura foi a gestão do processo de candidatura à EMA“, a Agência Europeia do Medicamento, garante o diário.

O Governo responsabiliza Margarida Marques pela forma como decorreu a candidatura portuguesa para acolher a EMA, segundo este jornal. Inicialmente, o Porto foi afastado como hipótese, mas acabou por ser a cidade escolhida e a Secretária de Estado é acusada de ter dado “informações erradas” que geraram essa confusão.

O Público também fala num “acumular de tensões” entre Margarida Marques e elementos da Comissão Europeia e da Representação Permanente de Portugal Junto da União Europeia (Reper).

Já o Sol sublinha que o “corte de António Costa com uma amiga de sempre” terá sido motivado por “um conflito latente” entre Margarida Marques e a chefe de gabinete do primeiro-ministro, Rita Faden, que também tem currículo e experiência na área dos Assuntos Europeus.

O Sol evidencia ainda que “a autonomia de Margarida Marques face a Costa” terá também justificado o afastamento – um dado reforçado pelo Público, que menciona um “clima de ruptura” entre a Secretária de Estado demitida e elementos do MNE, fruto da sua “auto-suficiência” na definição da equipa de trabalho, sem integrar pessoas do quadro do Ministério.

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