António Pedro Santos / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa
António Costa abre a possibilidade ao levantamento de restrições, mas alerta que “o fim do Estado de Emergência não significa o regresso à normalidade”. O primeiro-ministro também admite que “se as coisas começarem a correr mal temos de dar um passo atrás”.
Durante a visita a uma empresa têxtil em Paços de Ferreira, Costa lembrou que “caberá ao Presidente da República avaliar se é ou não necessário manter o Estado de Emergência” .
“Segundo as informações que temos, o consenso é que podemos, neste momento, descer um nível”, admitiu o primeiro-ministro, alertando, porém, que “a normalidade plena da nossa vida só voltará a existir quando houver vacina, o que só acontecerá daqui a um ano ou ano e meio”.
“Vamos ter de praticar normas de distanciamento durante muito tempo, o que não quer dizer que tenhamos de estar permanentemente em estado de excepção constitucional”, apontou também.
“O fim do estado de emergência não significa o regresso à normalidade”, vincou ainda, reforçando que “as actividades que vão reabrir, quando reabrirem” terão de fazê-lo “com condicionamentos”.
A partir de Maio, vão começar a reabrir actividades e estabelecimentos, mas a cumprirem normas de segurança obrigatórias, nomeadamente nos transportes públicos, nas escolas, nas lojas e nos restaurantes.
“Conforme as medidas de desconfinamento forem existindo, o risco de contaminação aumenta e temos de o manter controlado para que o Serviço Nacional de Saúde e as pessoas consigam conviver com o vírus como a humanidade convive com milhões de vírus”, referiu ainda o primeiro-ministro.
“Vamos avaliar a situação de 15 em 15 dias, para vermos se estamos em condições de dar o passo seguinte. Se as coisas começarem a correr mal, temos de dar um passo atrás e adoptar as mesmas medidas que vamos poder aliviar”, alertou ainda. “Queremos dar passos em frente, mas se tivermos de dar um passo atrás, daremos. A contragosto, mas daremos”, realçou, considerando que é preciso, acima de tudo, “manter a segurança”.
O primeiro-ministro comentou também as dúvidas de constituicionalistas sobre a potencial passagem do Estado de Emergência para a situação de Calamidade Pública. “Também sou jurista e sei da enorme capacidade que os juristas têm de inventar problemas. Felizmente a realidade da vida é muitíssimo mais prática”, considerou Costa.
Mas o governante vincou que acredita “na consciência das pessoas”. “As pessoas têm consciência de que se estão contaminadas, o seu dever com ou sem Estado de Emergência é estarem isoladas”, reforçou, notando que todos têm a percepção de que devem “ter afastamento, usar as máscaras em proximidade”. “Diga a Constituição o que disser, haja ou não Estado de Emergência, confio nas pessoas e no comportamento exemplar“, concluiu.
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Face a instabilidade Social e Económica que nos confrontamos, não é tarefa fácil de tomar decisões em termos de retoma de actividade laboral . Compreendo o 1º Ministro que, em ter que reactivar a Economia do País demonstre uma certa preocupação quanto ao risco, (não menor) de ver aumentado os números de casos de transmissão do nosso inimigo invisível. O não respeito das regras Sanitárias por parte da População em geral, pode-nos levar a uma mais dramática situação que esta que já vivemos hoje. Acolho com um certo agrado a decisão da retoma, como receio muito o risco de uma hecatombe incontrolável, com muitas vidas ceifadas. Com a minha idade nunca pensei viver uma (3ª guerra mundial) desta natureza !...O futuro depende do bom senso de nós todos !