José Sena Goulão / Lusa
O humorista Bruno Nogueira e a vocalista dos Clã, Manuela Azevedo, durante o espectáculo “Deixem o Pimba em Paz, no Campo Pequeno, em Lisboa, a 1 de Junho de 2020.
A Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa, recebeu, nesta segunda-feira à noite, duas mil pessoas para o espectáculo de Bruno Nogueira “Deixem o Pimba em Paz”, na reabertura pós-pandemia de covid-19. Um evento que merece críticas dos artistas tauromáquicos que se acorrentaram ao portão do Campo Pequeno para se queixarem de censura e exigirem o regresso das touradas.
Muitas máscaras na plateia, gel desinfectante à entrada e distâncias de segurança marcaram a reabertura do Campo Pequeno para o primeiro espectáculo, depois do período de confinamento ditado pela covid-19.
Coube a Bruno Nogueira e ao espectáculo “Deixem o Pimba em Paz”, onde participa ainda a cantora dos Clã Manuela Azevedo, essa honra. E a casa só não encheu devido às limitações de público, por causa da pandemia. Os 2 mil bilhetes colocados à venda esgotaram num ápice e a segunda sessão, marcada para esta terça-feira, também já está esgotada.
Nas bancadas, além dos anónimos, esteve o primeiro-ministro António Costa.
O deputado do Chega, André Ventura, também andou pelo Campo Pequeno, mas foi antes do espectáculo, para dar o seu apoio ao protesto dos artistas de tauromaquia que se acorrentaram à porta do Campo Pequeno, acusando o Governo de os “censurar” e “discriminar”, pelo facto de as touradas não poderem ainda regressar.
“Abre-se a praça para outros espectáculos que não aqueles a que está destinada. O Presidente da República não devia deixar isto em claro”, atirou André Ventura.
Toureiros acusam Governo de os “censurar”
José Sena Goulão / Lusa
Cerca de uma centena de artistas de tauromaquia concentraram-se junto ao Campo Pequeno, numa manifestação contra a não reabertura dos espectáculos tauromáquicos.
Cerca de uma centena de artistas de tauromaquia concentraram-se junto ao Campo Pequeno, numa manifestação contra a não reabertura dos espectáculos tauromáquicos.
Os cavaleiros António Telles, Luís Rouxinol, Rui Fernandes e o antigo forcado José Luís Gomes acorrentaram-se ao portão da praça de toiros e queixaram-se de “censura” e “discriminação”.
“O nosso governo não gosta de nós e não nos respeita”. Este foi um dos desabafos que saiu da boca de um dos quatro protestantes que se acorrentaram ao portão do Campo Pequeno, em Lisboa, para pedir o regresso das touradas.
Cerca de cem manifestantes juntaram-se pelas 18 horas junto ao Campo Pequeno, num protesto “pacífico”, e ali permaneceram durante três horas, altura em que começaram a dispersar também de forma ordeira.
No local estiveram vários meios policiais que separaram os manifestantes em grupos de dez pessoas, para que se manifestassem mantendo uma separação e distância de segurança.
Esta concentração visou protestar pelo facto de terem sido reabertas todas as actividades e espectáculos culturais com a excepção da tauromaquia.
O secretário-geral da ProToiro – Federação Portuguesa de Tauromaquia, Hélder Milheiro, alertou para os impactos que a pandemia de Covid-19 está a causar no sector, com o cancelamento de cerca de 70 espectáculos, num prejuízo de quase 5 milhões de euros
.Uma reportagem da CMTV assinalava, recentemente, que está a ser um “ano catastrófico”, frisando que alguns toureiros podem mesmo “parar de vez” devido aos avultados prejuízos.
De acordo com o dirigente da ProToiro, por inevitabilidade da pandemia da Covid-19, o sector está a sofrer um impacto interno económico e financeiro “muito drástico” de há dois meses para cá, porque “há pessoas em situações muito críticas”, pelo facto de a actividade estar parada.
“A sazonalidade da tauromaquia – entre Março e Outubro – faz com que, se estes artistas não têm receitas nestes meses, ficarão completamente sem receitas até ao ano que vem. Não trabalhando nestes meses, é uma perda irrecuperável“, observou Hélder Milheiro, acrescentando que as ajudas definidas pelo Estado não se aplicam à tauromaquia.
“Ministra da Cultura mentiu ao Parlamento”
Segundo Hélder Milheiro, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, mentiu ao Parlamento quando disse que as actividades tauromáquicas teriam início em 1 de Junho.
“Disse que não havia nenhuma diferença na reabertura do sector da cultura, incluindo a tauromaquia. Mas, ao contrário do que disse, mentiu aos deputados, mentiu ao Parlamento e, quando saiu a resolução do Conselho de Ministros nesta sexta-feira, veio com toda a área da cultura aberta, com excepção da tauromaquia”, acusou.
Os deputados do CDS-PP, Ana Rita Bessa e João Pinho de Almeida, já questionaram a ministra da Cultura, denunciando o que definem como uma “discriminação inaceitável para com o sector tauromáquico”.
“Tomando como exemplo o Campo Pequeno, que funciona como sala de espectáculos mas é uma Praça de Touros, e onde hoje, dia 1 de Junho, se realiza um espectáculo musical e de comédia, por que motivo este é autorizado e a realização de espectáculos tauromáquicos não”, questionam os deputados do CDS numa comparação com o “Deixem o Pimba em Paz” de Bruno Nogueira.
A Resolução do Conselho de Ministros de 29 de Maio, que determinou as regras da terceira fase do desconfinamento, impede “textual e especificamente a abertura das praças de touros até 14 de Junho”, aponta ainda o CDS.
O partido lembra que as corridas de touros são “regulamentadas e reconhecidas pelo Estado” e conclui que, por isso, “não se compreende a exclusão da tauromaquia do recomeço da actividade cultural”.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Senhor Costa então em vez de dar o exemplo e evitar ajuntamentos o senhor e mesmo o senhor P.R. com acções só aumenta o descrédito que muitos portugueses tem em si e mesmo até no Covide, os portugueses precisamos e de pedagogia essa deve vir de cima e não com acções dessas, que moral tem o senhor e o P.R. de pedir aos cidadãos que mantenham afastamento quando os senhores vãoa restaurantes e á praia?’ Morriam se este ano não fossem, aos restaurantes ou á praia. Tenham vergonha na cara e deem exemplo e não incitamento que é o que tem feito.