Ali Haider / EPA

Foi divulgada mais uma prova do assassinato do jornalista saudita, Jamal Khashoggi, no consulado saudita em Istambul: uma gravação captada no momento do crime, na qual se ouve um dos assassinos dizer “eu sei cortar”.

Quem o garante é o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que esta sexta-feira disse ter enviado o áudio para as autoridades norte-americanas e europeias. “Vou fazê-los ouvir”, disse, de acordo com o The Guardian.

Num discurso em Istambul, o presidente turco revelou que na gravação consta um homem, que será um soldado, a dizer claramente a frase “Eu sei cortar”. A gravação já terá sido partilhada com as autoridades americanas e europeias, numa altura em que Erdogan endurece as críticas contra o país pelo assassinato do jornalista e contra o regime do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

“Os EUA, a Alemanha, França, o Canadá: enviámos o áudio para todos eles. O homem diz claramente. O homem é um soldado. Isto está tudo na gravação”, disse Erdogan num discurso em Istambul, sem dar muitos detalhes sobre o conteúdo da gravação.

Desde que Khashoggi foi morto em outubro, o presidente turco, que era seu amigo, tem feito libertar informação regularmente, com o claro objetivo de embaraçar o príncipe

Muhamad Bin Salman, seu rival que é tido como o verdadeiro poder na Arábia Saudita.

Na última vez que Jamal Khashoggi foi visto com vida, estava a entrar no consulado do seu país em Istambul onde tinha ido tratar de documentos necessários para o seu casamento. As autoridades turcas acreditam que o jornalista foi assassinado por uma equipa de agentes da Arábia Saudita ainda no interior do consulado, por ordem do príncipe herdeiro.

Esta segunda-feira, foi noticiado que o jornalista terá dito que não conseguia respirar, o que evidencia que Khashoggi foi torturado dentro do consulado.

Erdogan tem dito várias vezes que não vai largar o caso, embora o presidente norte-americano Donald Trump tenha estado do lado da Arábia Saudita. Porém, o relatório da CIA aponta para a alta probabilidade de ter sido o príncipe a ordenar a morte do jornalista.

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