Wu Hong / EPA
O coronavírus, que já matou 2.700 pessoas e infetou mais de 80 mil desde dezembro, está a tornar-se “rapidamente” no primeiro grande desafio pandémico do mundo, enquadrando-se nos moldes da “doença X” temida por especialistas.
O alerta é de Marion Koopmans, professora de Ciências Virais e chefe de departamento na Universidade de Erasmus de Roterdão, nos Países Baixos, que é também consultora da Organização Mundial de Saúde (OMS).
“Contido ou não, este surto está a tornar-se rapidamente no primeiro grande desafio de pandemia que se encaixa na categoria de ‘doença X’, elencada na lista de doenças prioritárias da OMS para as quais precisamos de nos preparar na nossa sociedade globalizada”, afirmou a especialista num artigo publicado na revista científica Cell.
Tal como explica o jornal britânico The Independent, “doença X” é uma atribuição destinada pela OMS para qualquer novo patogénico que possa a vir a causar doenças – e até, potencialmente, uma pandemia -, mas que ainda não é conhecido pelos cientistas.
Koopmans acusou ainda especialistas e autoridades de saúde pública de estarem a “desperdiçar tempo precioso” por não estarem devidamente preparados contra doenças que podem escalar para uma pandemia global.
Esta segunda-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que, para já, coronavírus não representa uma pandemia, mas que o mundo se deve preparar para esta eventualidade. O responsável considerou ainda “muito preocupante” o “aumento repentino” de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.
“Devemos concentrar-nos na contenção [da epidemia], enquanto fazemos todo o possível para nos prepararmos para uma possível pandemia”, disse, em conferência de imprensa.
A organização mundial sublinhou também que a epidemia recuou na China, onde o novo coronavírus surgiu no final de dezembro e onde 77.000 pessoas foram infetadas desde então. O surto de Covid-19 já matou 2.705 pessoas e infetou mais de 80 mil, de acordo as autoridades de saúde de cerca de 30 países afetados.
Além de 2.665 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França e Taiwan. Em Portugal, já houve 14 casos suspeitos, que resultaram negativos após análises, estando um novo caso a ser avaliado.
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Já cá faltava o histerismo alarmista.