Um jornalista francês, um dos veteranos especialistas em assuntos europeus, levanta dúvidas sobre a capacidade de Jean-Claude Juncker governar, falando abertamente sobre o alegado “alcoolismo” do presidente da Comissão Europeia.

“Quando um oficial de justiça lhe traz [a Juncker] um copo de água durante o Conselho de Ministros, todos sabemos que é gin“. As palavras foram proferidas por um antigo ministro europeu, conforme escreve o jornalista francês Jean Quatremer, um dos veteranos que acompanha os assuntos da Comissão Europeia (CE), num artigo de opinião na revista britânica The Spectator.

Intitulado sugestivamente “Jean Claude drunker“, num jogo de palavras entre o nome de Juncker e a palavra “bebedor” em Inglês, Quatremer fala abertamente do alegado “alcoolismo” do presidente da CE.

“Juncker ainda será fisicamente capaz de dirigir a Comissão Europeia?”, é a pergunta que o jornalista deixa na versão em Francês do dito artigo de opinião, que é publicada no seu blogue no jornal Libération.

Quatremer levanta a possibilidade de Juncker ser um mero “fantoche” e de ser o secretário-geral da CE, Martin Selmayr, quem de facto governa. Selmayr é descrito pelo jornalista como “todo-poderoso” e “muito contestado”, até por não ter sido alvo de uma eleição, e apontado como potencial sucessor de Juncker no cargo.

O ponto de partida para as considerações de Quatremer é o caricato episódio vivido por Juncker durante a cimeira da NATO, em que teve que ser amparado por diversos líderes europeus, incluindo o português António Costa.

Juncker e os seus acessores justificaram o estranho cambalear com uma “crise particularmente dolorosa de ciática, acompanhada de cãibras”. Mas “a explicação de ciática não aguenta o escrutínio”, frisa o jornalista francês na sua crónica.

“Ele não parece estar em desconforto”, repara o jornalista, frisando que as imagens divulgadas mostram-no “a sorrir, rir, falar e beijar os colegas à medida que o ajudavam a andar”. “Uma crise aguda de ciática coloca as suas vítimas prostradas na cama”, constata ainda.

Por outro lado, o jornalista lembra que, dois dias depois do episódio, Juncker visitou a China e o Japão. Ora, “a ciática torna as viagens de longo curso difíceis de enfrentar”, conclui.

Quatremer ainda assume que Juncker pode ter sido “limitado por analgésicos poderosos“, notando que “várias fontes” frisam que o presidente da CE “estava numa cadeira de rodas quando os fotógrafos e as TVs não estavam a olhar, e nem falou durante o jantar” da cimeira da NATO.

Mas “as mesmas testemunhas dizem que Juncker bebeu muito durante o jantar, o que é difícil de reconciliar com o recurso a analgésicos”, reforça.

A isto, Quatremer acrescenta os burburinhos que se ouvem nos corredores de Bruxelas, onde se diz que o problema é “Juncker gostar muito da garrafa”. O que “põe em causa a sua capacidade para governar”, conclui.

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