Há mais uma polémica a envolver uma taróloga da SIC. Desta feita, por causa dos conselhos a uma mulher traída pelo marido de que deveria “empinocar-se”, pôr-se “bonita”, fazer “muita ginástica em casa” e ser mais esperta do que as “galdérias”.

Estas recomendações foram feitas pela taróloga Maria Helena Martins, durante o programa “Ponto de Equilíbrio”, da SIC Internacional.

“Se quer salvar o casamento faça o que a Maria Helena lhe está a dizer. Você arranja-se toda, empinoca-se toda. Quando o homem chega a casa, você diz ‘vamos fazer ginástica, filho’. E pronto, não fala na outra”, recomendou a taróloga.

“Temos de ser mais espertas do que as galdérias”, notou ainda, aconselhando a mulher traída pelo marido a cansá-lo com “muita ginástica”.

“Se ele fizer muita ginástica em casa, para a rua já sobra pouco”, apontou Maria Helena Martins, destacando a sua experiência como “mulher que está casada há 50 anos”.

As declarações da taróloga foram partilhadas numa página de humor do Facebook e logo despoletaram muitas reacções, tanto de crítica, como de apoio aos seus conselhos.

“Machismo entre as próprias mulheres”

Para a socióloga Elisabete Rodrigues, a posição de Maria Helena Martins é “lamentável”, considerando o seu discurso “hiper machista”, conforme declarações ao jornal Público.

A taróloga “vem desculpar a infidelidade do homem e culpa a mulher, não sendo feito nenhum julgamento ao marido para além de colocar o ónus de resolver a situação na mulher”, lamentando o que define como “machismo entre as próprias mulheres”.

Para a activista da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Elisabete Brasil, é “inconcebível que na sociedade actual ainda aconteçam situações deste género”, segundo refere também no Público.

“A responsável pelo casamento não funcionar é sempre da mulher porque não corresponde ao papel tradicional, enquanto o homem pode tudo – não interessa o que o homem faz, interessa o que a mulher não fez

“, constata.

“É uma ideia de que o casamento é sinónimo de felicidade e tem de ser mantido, mesmo que a mulher se tenha de submeter e subjugar sem vontade”, conclui a activista da UMAR.

Elisabete Brasil também realça que é preciso que este tipo de programas, com uma audiência alargada e muitas vezes em “momentos de grande vulnerabilidade”, sejam mais supervisionados, em termos do tipo de mensagens veiculadas.

No ano passado, outra taróloga da mesma estação televisiva já tinha aconselhado uma mulher vítima de violência doméstica a “mimar o marido”.

A própria Maria Helena Martins já tinha estado envolvida em polémica, depois de se ter oferecido para resolver problemas judiciais dos telespectadores, o que pode configurar um crime.

Quanto a esta polémica em torno dos seus conselhos sobre como lidar com a traição do marido, a taróloga reagiu publicando uma nota, no seu perfil do Facebook, onde realça que acredita no amor e no casamento e que condena o adultério. Mas acrescenta que, quando as pessoas se amam e decidem “perdoar”, “isso importa sacrifícios para ambos para superar essa traição e recuperar a confiança perdida”.

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