Luísa Semedo, presidente do Conselho Regional da Europa (CRE) das Comunidades Portuguesas, demitiu-se esta quarta-feira do cargo de presidente por recusar encontrar-se com o deputado único do Chega, André Ventura.
A conselheira eleita em França e presidente do Conselho Regional da Europa (CRE) das Comunidades Portuguesas, Luísa Semedo, anunciou a sua demissão do cargo de presidente este fim de semana, através da rede social Facebook.
A demissão já foi apresentada por carta à secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, e ao Presidente do Conselho Permanente (CCP) Flávio Martins.
Na missiva, a responsável explica que se demite antes da reunião do Conselho Regional da Europa, um encontro para o qual são convidados todos os deputados da Assembleia da República, por não querer encontrar-se com André Ventura, deputado único do Chega.
A conselheira explica que considera a eleição deste deputado “ilegítima” e “fruto de uma anomalia, de uma falha do nosso sistema democrático”. “Considero que foi um grave erro que um personagem, já conhecido pelas suas tomadas de posição racistas, tenha obtido a autorização de fundar um partido, esteja hoje na Assembleia da República e pronto a disputar o lugar de Presidente da República.”
“André Ventura representa um partido que ataca os direitos das mulheres, das pessoas ciganas, negras, muçulmanas, das pessoas LGBT, dos direitos dos refugiados, que propaga incitação ao ódio, que ataca de forma descomplexada, no seu programa, os valores de Abril”, acrescenta ainda na mesma carta.
Para não colocar em causa a ética da responsabilidade, Luísa Semedo escolhe abdicar do cargo. “O racismo, o fascismo, o nazismo, o sexismo, a homofobia não são opiniões, são crimes”, sublinha a conselheira.
“Enquanto portuguesa, mulher, emigrante, antifascista, afrodescendente e mãe sinto-me diretamente atacada pela ideologia disseminada por este partido e pelo seu representante”, por isso, continua, “não posso ser a anfitriã e a interlocutora de quem me considera como inferior”, diz Luísa Semedo, que se apresenta no Facebook como “Presidenta de MigraCult”.
Segundo o Público, Luísa Semedo irá manter-se como conselheira das comunidades portuguesas em França até ao final do seu mandato.
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Perdeu uma boa ocasião para confrontar o Sr. Ventura. Dizer-lhe face a face o que aqui expõe !